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quarta-feira, 7 de abril de 2010

#OsTemposdeHoje

- Ei, cara. - Começou um.
- Hein?
- Você tem Twitter?
- Não.
- Não mesmo?
- Não. Não tenho. Não gosto.
- Tem certeza?
- Sim, eu tenho.
- E Facebook?
- Também não.
- MySpace?
- Não.
- Orkut?
- Quê?
- Orkut, sabe, aquele site que tem gente pra cacete, é tipo um Facebook brasileiro.
- Não, eu não tenho.
- Você tem certeza?
- Sim, eu tenho.
- Tudo bem então.
- Mas por quê você queria saber?
- Bem, eu estava pensando: Quando a gente era criança, essas coisas não existiam, e do mesmo modo, todo mundo arranjava um jeito de saber o que você estava fazendo.
- Esse "Modo" se chama telefone, e ele ainda existe.
- É, mas todo mundo prefere Skype.
- Tá, dane-se. Continua.
- Então. Quando a gente arranjava uma namorada, coisa e tal, todo mundo descobria. Quando a gente traía a namorada, todo mundo descobria exceto a namorada. Quando a namorada traía, a gente descobria, terminava e falava que a gente que tinha traído.
- E daí?
- E daí que é um pouco irônico...
- O quê?
- Agora é ainda mais fácil de descobrir coisas desse tipo, mas ninguém descobre quase nada. Tá mais difícil descobrir se sua namorada te trai, etc.
- Aonde você quer chegar com isso?
- Eu estou vendo seu Twitter... Por que você transou com minha mulher? 

Baseado em fatos reais.


Música da Semana
Música: It's Late
Artista: Queen
Álbum: News of the World

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Macho Alfa

Nos primórdios da humanidade, a seleção natural se estabelecia como o deus supremo da sobrevivência, enquanto os mortais disputavam suas vidas naquele terreno novo, sem nem uma gota d'água. O que todos disputavam? Comida e água.

Mas eles também disputavam entre si. A disputa entre si, para justificar a seleção natural. Lutavam para ver quem conseguia o maior número de transas. Naquela época, primatas subdesenvolvidos tinham esse direito. Afinal, de que outra forma iriam definir os mais fortes?

Na Idade Média, viu-se que isso era muito primitivo e mandaram isso pra merda. Daquela hora em diante, pobre ia casar com pobre, rico com rico, padre ia ficar transando nas horas vagas, e foda-se a seleção natural (Até porque, para eles evolução é coisa do diabo).

Então, veio o renascentismo, e, novamente, os velhos valores foram chutados. Agora, era vendendo. Quem tivesse mais esposas era quem tinha mais dinheiro. Substituiram a força pela grana, o que, para aquelas formas de vida baseadas em carbono com cérebros que ainda achavam que guerra era uma boa idéia, era um avanço.

Então, anos depois, chegou a era Hippie. Aí mudou tudo. Era quem quisesse com quem quisesse, e o filho era de quem não queria. Todos eram felizes, talvez culpa de toda a erva que fumavam. Quem sabe também fosse pelo fato dos Beatles ainda estarem juntos na época.

Mas, depois da era Hippie, vieram os tempos atuais. Aí, dinheiro era sinônimo de pegar mulher. E não era incomum achar homens desafiando uns aos outros com a típica frase: "Tu pega mais mulher que eu?", geralmente com algum "porra" enfiado no meio. Aonde não deveria ser.

Uma das coisas que eu, como escritor, não gosto de fazer, é tentar ter uma argumentação racional com algum homem. Isso por dois fatos: 1º, Eles geralmente não sabem argumentar, e 2º, sempre acham que estão com a razão quando falam "Tu pega mais mulher que eu?"

Em algum ponto de nossas vidas enfadonhas e inúteis, somos obrigados a ouvir essa frase tão ridiculamente montada que nos faz pensar: "Que tipo de mulher burra esse cara anda pegando?". Mas, como se fosse uma maldição, essa frase perdura.

É difícil eu passar um dia sem ser insultado. Como já sou acostumado a tal fato, sempre tento rir um pouco da situação. Com mulheres, acabo saindo ganhando. Com homens, acabo ouvindo a enfadonha "Tu pega mais mulher que eu?".

Desde quando "Pegar mulher" é símbolo de masculinidade? Por que será que o homem é tão inseguro quanto a própria masculinidade que, para se auto-afirmar, repete como um dogma essa frase? É algo tão ridículo...

Nosso instinto nos faz querer ser o Macho Alfa. Ser o chefe do grupo, e transar com mais mulheres. Como dinheiro é algo que não se discute pelos padrões sociais aceitáveis, o homem achou uma única saída para sua necessidade fisiológica para se tornar o Macho Alfa: "Pegar mulher".

Agora, também existe o machismo envolvido na jogada. Só pela simples frase "Pegar mulher" já demonstra isso. Objetizando mulheres, como diriam. Sinceramente, a frase "Tu pega mais mulher que eu" é uma das mais machistas e egoístas que um homem pode dizer.

Se você, como homem, ficou ofendido com este texto, e vai me mandar um comentário como "Vem cá, tu pega mais mulher que eu?", por favor, não esforcem seus cérebros para digitar sôfregas oito palavras. Vão para algum lugar, fazer algo de inútil. Até porque, se você acha mesmo que "Pegar mulher" é símbolo de status, você não merece minha mínima consideração.

Biancardine, OUT!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Lado C

Ricardo chega a uma festa e é apresentado à Bárbara, que estava ouvindo MP3.
- Ei, é você que gosta daquele tal de Rock Progressivo? Estou ouvindo Nirvana. É verdade que o Kurt Cobain morreu?
- Muito engraçadinho! Será uma piada? - indagou-se Ricardo.
- Cara, a Bárbara é a garota na medida para você! Ela é jovial, adora dançar, curte pops e adora a "night". Ela tem 34 aninhos e com certeza vai dar certo.
- Realmente, muito "feliz" a Bárbara! - pensou Ricardo em voz alta.
- Não, impossível. Nenhuma "paixão arrasadora" me deixaria doido a ponto de abrir mão da minha coleção de Rock Progressivo. - dessa vez, reservou para si, enquanto analisava a moça.
Nada a ver com um cara que gosta desse gênero musical. O que Bárbara falaria quando Ricardo botasse a tocar Emerson, Lake & Palmer ou Rush? E o mais estranho: em LP! Sim, o rapaz ganhou uma coleção de LP's de Rock Progressivo de seu pai. Ele curtia o Gentle Giant, o King Crimson e aí por fora.
- As garotas de hoje em dia estão iguais no mundo inteiro! Todas em MP3 ou MP4. Poucas são iguais a LP's, que tinham capa e encarte...
Sua ex-namorada, a Valéria, até que gostava de Heavy Metal. Ela entrava em transe ao ouvir a voz do Robert Plant, do Led Zeppelin. Um dia, a Valéria queria ouvir Painkiller (Judas Priest) e ele queria ouvir o álbum "Relayer" do Yes.
- You say Yes?! I say Oh, No!
Ele não gostou do trocadilho e Valéria dançou. Bem capaz de ela ter ido ao show do AC/DC...
Ele tinha um LP de um grupo italiano chamado Maxophone, que na época só seu pai tinha no Brasil. Realmente, o Ricardo orgulhava-se muito daquela coleção. Ele achava que naquele tempo ainda havia vida inteligente até no Rock.
Tinha muitos grupos alemães (Eloy, Tangerine Dream, Neu), italianos (Banco, Le Orme, PFM) e até franceses (Magma). Suas vozes favoritas eram da Annie Haslam (Renaissance) e Peter Hammil (Van der Graaf Generator).
- Deixa pra lá, com certeza minhas músicas não farão Bárbara voar!
Entre voar e dançar, Ricardo preferiu primeiro "dançar" para continuar voando. Paixões não são todas iguais, e uma a uma o fazia cada vez mais dono de seu coração solitário.

I-Rockin

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O Mendigo que Cantava

Antes do conto em si, uma pequena reclamação sobre algo que é considerado banal hoje em dia: Comentários em Fotos de Orkut. Sinceramente, nunca vi tanta falsidade reunida num lugar só. Sem contar erros gramaticais.

Se a pessoa posta uma foto no Orkut, e ninguém comenta, ela fica irritada. Isso é idiotice. "Por que ninguém comentou ainda?!?! Será que não sou bonita o bastante para postar fotos, e por isso todos estão me ignorando?!?! Ah, mas eu sabia!!! Eu sabia!!! Já chega, irei me matar agora mesm... Ei, um comentário!"

Pior mesmo são os comentários em si. Falsidade, falsidade. Tudo bem, não vou chegar na foto e dizer: "Você parece um esquilo esquizofrênico, e, sinceramente, nunca quis ter te conhecido", mas não dá para não sentir uma ponta de sarcasmo, ou falsidade, ou sei lá, quando a pessoa fala "Ai amiga, você tá linda =D".

Eu tinha até mesmo uma teoria sobre isso. De fato, até algum tempo atrás eu imaginava que as pessoas falavam isso apenas para que a pessoa que recebeu o elogio elogie de volta, criando um ciclo interminável de pessoas chatas e falsas dizendo o quanto "Amam a sua foto, você é muito linda", não importando o quanto a pessoa seja ridiculamente feia.

Ou talvez, se as pessoas pararem de ficar repetindo sempre a mesma coisa, elas esqueçam como escrever. Ou então, se pararem de escrever inutilidades, comecem a pensar.... Cínico demais?

Ou talvez não seja nada disso, e eu apenas seja cínico demais... Nah.
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O Mendigo que Cantava

Em uma rua escura, pessoas caminhavam por entre multidão. Andava eu, distraído, pensando na vida. Pessoas ao meu redor, sem o menor interesse. Sinceramente, gostaria que as pessoas parassem de se preocupar com seus trabalhos e fins-de-semana e simplesmente aproveitassem.

Ouvi uma cantoria. Era bonita. Uma voz excelente, que cantava sem precauções. Procurei a fonte (Ato típico humano), encontrei-a na rua. Um homem maltrapilho, magro. Tinha os cabelos desgrenhados, e uma barba longa. Era um mendigo. E cantava bem.

Cantava música clássica, sem pedir trocados. Cantava pois gostava de cantar. As pessoas passavam, sem prestar atenção, ou ouvir sua melodia. Realmente me deprimia que uma melodia tão doce era simplesmente ignorada pela humanidade.

Todo dia, eu lá sentava, ouvindo sua melodia. Nunca troquei palavra com ele - Estava muito ocupado cantando -, embora sempre deixasse um pedaço de pão. As pessoas passavam, sem rumo definido, apenas ignorando a beleza da vida.

Mas, um dia, a melodia sumiu, junto com sua fonte. Ele se fora, e a beleza da rua havia desaparecido, esquecida pelo tempo, e pelo povo. Sentei-me aonde ele costumava sentar. Deveria ter morrido de fome, talvez de velhice. Nunca saberia.

Nunca mais aquela rua fora a mesma. Embora ninguém notasse, a beleza da vida havia deixado-a. A música havia acabado. Eu sentia falta dela. Mas, embora tudo isso, sentia era pena daqueles que só se preocupavam com trabalho, por nunca nem terem ouvido a música.

Biancardine, OUT!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Discrição Acintosa

- Ora, garotas são todas iguais...
- Como assim?
- ...cabeça, tronco e membros!
- Ta bom! Descobriu alguma coisa?
Seu Ruy e o Cadu sabiam que algo estava acontecendo em
casa. Dava para sentir no ar.
Dona Martha e Bia andavam muito estranhas ultimamente.
Estranheza tão sutil e ao mesmo tempo tão assustadora pairava sobre aquele ambiente. Para aqueles dois pobres rapazes os dias passavam e nenhuma pista do que aconteceria. --De fato, garotos também são todos iguais, mas o que não é igual atualmente?
- Será aniversário de casamento de vocês?
- Não, não. Como eu me empapucei de cerveja naquele dia,
com certeza era verão. Aniversário dela também não. Eu também
esqueci no mês passado! E o meu aniversário é só no final do ano.
Dia D menos 3:
- Os meus queridinhos estão prontos para uma comemoração?
- E ai, filhão? Descobriu alguma coisa?
Dia D menos 2:
- Nada ainda?
- Pô! Eu vi uma taça chegando...
Dia D menos 1:
- É amanhã, meus queridos!
- Ai! Ai! Ai!
Dia D:
- Preparados para sentir calafrios e os seus pelos da nuca arrepiados?
- E agora? E AGORA?!?!
- Hoje faz 20 anos que você ganhou a única taça da sua vida: cuspe
à distância no colégio e trouxe todos os seus colegas de classe.
- Hei, hei, hei! O Ruy é nosso rei!
- Então você só queria comemorar isso, mãe? – disse Cadu.
- Ufa! Pensei que pudesse ser o aniversário do gato que eu teria
esquecido. Lembre-me de comemorar isso novamente daqui a
20 anos. – disse Ruy.
- Nós nem desconfiamos! – disse Cadu, surpreso com a discrição das duas, que mais parecia a de um touro em uma loja de cristais.

I-Rockin

domingo, 21 de junho de 2009

Valeu a pena?

Eu nasci para a miséria. Não sou feito para a felicidade. Vivi uma vida aonde um pai me abandonou, uma mãe ficava fora a maior parte do dia, e saia de noite apenas para não ter que se "estressar" comigo.

Estou contando esta ridícula autobiografia não para que vocês sintam pena de mim, mas sim que saibam como foi minha vida. Nunca tive namorada. Nunca tive um beijo. Todas minhas paixões acabaram mal. Sou odiado, repudiado, insultado, queimado. E por quê?

Porque sou diferente, eis o maldito porquê. Toda a sociedade almeja a sacro imagem da porra da "Família feliz de Cristo", onde todos são irmãos iguais, e todos os diferentes vão pro inferno. Eu vou pro inferno, e de cabeça erguida. Kurt Cobain e John Lennon são mais agradáveis que Jesus Cristo.

Toda vez que ergo minha voz, que me destaco por querer ser diferente, eu sou repreendido. Eu sou encaixotado, eu sou assassinado, com toda vez que levo uma advertência de "Desacato ao professor". O professor que vá à merda, eu não vou me curvar para pessoa alguma.

Foda-se aquele que diz que eu sou arrogante. Ninguém é igual, todos somos diferentes. Todos somos ou piores, ou melhores. A Seleção Natural diz isso. A única coisa que nos torna realmente humanos é que nós podemos ficar ascender ou descender, enquanto o animal fica preso com seu DNA.

Recentemente, eu acabei me apaixonando por uma garota. Eu já sabia que isso ia terminar mal, como tudo que faço, mas fazer o quê. Todo mundo é um tolo. E foram-se alguns dias de pequenas indiretas, piadas românticas, e várias insinuações.

E, marcamos a data. O local. O horário. Para quê? Para nada. Eu espero feito o imbecil que sou, e ela se agarrando com algum cara qualquer. Cansei de me apaixonar. Quero fazer feito Davy Jones, e arrancá-lo fora de uma vez.

Eu ainda me lembro vagamente da época que era católico, apenas mais uma ovelha idiota na linha para o matadouro. Ainda era aceito, ainda tinha amigos. Quando me libertei daquelas garras mentirosas e alienantes, descobri um outro mundo, um mundo mais verdadeiro.

Embora tenha perdido amigos, tenha sido odiado por colegas da escola, professores, e minha mãe diga que "Foi o maior desapontamento da vida dela", eu sei que fiz a escolha certa. Tudo aquilo que fazem para me pôr de volta na linha, eu retruco, eu destruo, eu mato. O caminho certo sempre é o mais errado.

Eu vivo agora para nada além de minhas causas, de minhas lutas, meus ideais. Claro, sacrifiquei vida social, namoradas, e provavelmente uma família que me amasse integramente, mas eu sei que estou fazendo o que eu faço pela minha própria escolha, e não a escolha de um padre ou um diretor. Mas que é difícil, é.

Ao longo da minha história - Não apenas como escritor -, eu fui chutado muitas vezes. Fui revolucionário com meus pensamentos, fui um amante não correspondido, fui uma ovelha negra, fui o Anti-Cristo da sociedade, fui o Diabo da Igreja. E agora, que os tempos são mais difíceis, eu olho para trás e me pergunto: Será que valeu a pena?

Será que eu não errei? Será que tudo o que eu fiz estava certo? Será que, em minha cruzada por conhecimento para todos, eu não acabei por destruir a vida de algumas das pessoas a quem eu mais amava? Será mesmo que tudo o que eu faço é para o melhor?

E mesmo enquanto escrevo este texto, já me vem a resposta. A mesma resposta que me fez sair da Igreja, que me fez criticar o meu colégio, que me fez ser tão inconformista quanto sou hoje. Se estou certo, ótimo. Se não estou, então alguns erros foram construídos para durar.

Biancardine, OUT!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Humildade para quê?

Ando recebendo vários comentários (Em Orkut, MSN, Skype, Google Talk) sobre minha... Arrogância. Dizem que "Um pouco de humildade não lhe cairia mal". Acho isso uma estupidez profunda. Humildade é o que faz o homem se conformar, "Deixar acontecer". O homem precisa ser um arrogante, pois assim ele irá se achar superior, mas irá trabalhar para se auto-superar.

Ser arrogante é uma virtude. Ser humilde, um flagelo de sua própria auto-estima. Também não seja um típico "Ah, eu sou melhor que você e não há nada que você possa fazer para mudar isso" que isso é preconceito. Eu estou falando de um outro tipo de arrogância, uma arrogância, ouso dizer, artística.

Tire exemplo de minha própria vida: Não sou atraente com mulheres, sou extremamente tímido. Detesto trabalhar. Acho isso uma forma de alienação em massa (Puxa maçaneta, gira o parafuso. Repito por oito horas. Chego em casa, nem lembro o que que a empresa faz, só quero é ver novelas da Globo.), junto com o jornalismo e a televisão. Eu certamente não sirvo para emprego ou faculdade alguma. Exceto talvez faculdade de Filosofia... Enfim.

Com meu pai, uma das únicas coisas boas que recebi dele, aprendi a não ser um qualquer, um alienado, mais um na multidão. Eu tenho, e não estou sendo arrogante quando digo isso, o dom da escrita, e o interesse da literatura. Nunca em minha vida eu me contentaria com nada menos que ser um exímio escritor. Se algum dia vocês me virem trabalhando oito horas por dia e vendo rede Globo, por favor me matem.

OBS: Se você ficou ofendido com este texto, então minha intenção foi atingida.

Biancardine, OUT!

domingo, 17 de maio de 2009

Boutique

Em matéria de roupas, eu sou um retardado. Nunca consigo diferenciar seda de algodão. Eu lembro que, numa sexta, eu fui comprar um terno. Festas de quinze anos, coisa e tal. Nunca gostei da minha própria imagem num terno, sempre me achei um ser selvagem, atípico, e um terno não combina com esse meu "visual". Enfim.

Comprei meu terno, coisa e tal. Resolvi ir a Renner. Esperei não encontrar um daqueles vendedores, pois, até porque, eu me lembro de um capítulo da minha vida em que eu insisti que queria um pijama de seda (Sim, sei, é gay.). Fui numa loja, e o cara foi me explicando os tipos de seda.

- Ah, bem. Nós temos a seda endurecida, que é mais resistente, mas um pouco mais desconfortável. Também temos a repassada, que é muito mais confortável, mas não pode nem ser lavada numa máquina.
- Desculpe, eu disse pijama de seda? Eu quis dizer calça jeans.

Continuando...

Eu estava na Renner, e via milhares de diferentes roupas. Uma patricinha adoraria esse lugar. Eu tenho medo. Andei por aí, e vi certas roupas. Jaqueta de couro, a primeira que vi. Certamente dizia "Sou contra a sociedade. Não é verdade, mas eu minto.". Ou então, "Tenho fios brancos, socorro!".

Ao lado, uma calça de couro. "Me segurem" ela gritava. Boné? "Não tenho dinheiro para transplante capilar." Calça branca, jaqueta branca, camisa roxa? "Nunca saí da era Disco." Calça apertada um pouco demais? "Ai, Disco!"

E, numa mesinha esquecida, uma boina. Coisa de artista francês, mulheres e Che Guevaras. Resolvi experimentar. Me vi no espelho e tomei um susto. Eu parecia alguém diferente, um filósofo, um poeta. Finalmente minha aparência refletia quem eu realmente era. Parecia um pensador, um revolucionário.

Era como se minha vida tivesse se divido em duas partes. A.B. e D.B. Antes e depois da boina. Como se toda minha vida eu estivesse cego para minha aparência, mas que depois daquela experiência, todos pudessem ver quem eu realmente era.

Pus a boina de volta em seu lugar, e fui ver a jaqueta de couro uma outra vez.

Biancardine, OUT!

sábado, 25 de abril de 2009

Louco

Em duas palavras, descreverei o que sou, o que fui e o que serei até minha tão poética morte: Louco escritor. Sou eu aquele que dúvida, que reclama, que difere, que não segue. Não sou poeta, para isto teria que rimar, pois acho que em poesia mais tempo se gasta na escansão que no texto em si, mas sou aquele que escreve no blog há um ano, que faz seis páginas de um livro de terror, o que teve a maior realização de sua vida: Inspirar outra alma a escrever.

Eu acho que existem duas categorias de escritores: Posers e Verdadeiros. Os posers são aqueles que escrevem uma história "Café-com-leite" (Diga-se Harry Potter, Crepúsculo). Já os verdadeiros são aqueles que escrevem boas histórias, e não se importam se elas são publicadas ou não, apenas gostam de escrever. Eu sou um dos que se enquadram na segunda categoria, e é difícil de se achar um destes hoje em dia. Considere-se com sorte.

Dizem que os loucos são gente que não são normais, que não agem de acordo com a sociedade. Eu sou um louco então. Não acho que ser normal seja normal, eu acredito que todos devemos ser loucos, ter nossas pequenas idiotices e babaquices. Também acredito no que dizem sobre os loucos. Você só é louco quando se acha normal.

A sociedade tem medo de loucos, pois estes pensam por si próprios e não se importam com o que os outros pensam deste. Por isso que os taxam de inconseqüentes, de não saberem do que falam, de não terem moral, de simplesmente serem anti-sociais e anarquistas. Se todos os loucos fossem assim, já existiriam porcos voadores, acredite.

Somos loucos por fazermos coisas que outros não fariam, ou tem medo de fazer. De escrever uma história, de publicar sua mente e suas idéias num blog que vai além do ideal da sociedade, o antigo "É nós mano na parada, tá ligado? Se tu naum si cuidar nois leva". Pois afinal, aquele que escreve assim não teria muita influência numa sociedade. Mas um escritor como eu, ironicamente, teria.


Biancardine, o Estoriador

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Alheio

Ok. Vamos começar. Começa uma peça. Ou uma ópera? Tudo bem, uma ópera. Entra uma mulher gigantesca, e gravemente obesa. Ela começa a cantar. Na platéia, um homem chora. Ao seu lado, outro homem chora. O primeiro homem lamenta-se para o homem do lado.

- Essa é minha mulher - Ele soluça -. Ela ganhou vinte quilos para esse papel! Eu implorei que ela desistisse, mas ela não me ouviu... OLHE PARA ELA AGORA! - Ele se acaba em prantos. O homem ao lado conta sua história.
- Essa era minha amante! Eu implorei que ela ganhasse uns quilinhos, mas quando ela ganhou, ela me deixou! E por causa de uma peça!
O primeiro homem se vira para o segundo. - Você estava tendo um caso com minha mulher?! -
O segundo olha para o primeiro. - Você estava tendo um casamento com minha amante?!

Depois do show, cujo o qual os dois homens passaram emburrados, eles foram tirar satisfação com a mulher.

- Querida, - Começou o primeiro - Você estava tendo um caso com este homem?
A mulher olha para o amante. - Sim, estava.
O marido fica perplexo. - Estava, mas nunca me contaste? O que há de errado com você?!
A mulher, muito calmamente, responde ao marido. - Bem, meu caro esposo. Você nunca me perguntaste se eu tinha um caso. Se você tivesse, eu teria dito no ato!
- Sim, mas você estava omitindo tal fato!
- Omitir é apenas não dizer o fato. Seria como não te dizer que nosso gato é cego de um olho.
O marido então ficou irritado. - Nosso gato é cego de um olho?!
-Sim, ele tentou comer o nosso peixe dourado, então eu dei uma vassourada em sua cabeça, que bateu em um de seus olhos.
O marido tomou uma decisão. - Tudo bem. Eu ficarei com o gato daqui para a frente. Você fique com seu amante. - Então o marido foi para casa, e alimentou o gato com o peixe dourado da mulher.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

2 em 1: "Avoando" e "Céu Infernal"

Avoando
- Quando o almoço será servido? - Perguntei eu, à aeromoça.
- Logo senhor. Por favor tenha paciência.
A aeromoça foi embora. Eu voltei minha atenção à janela. Um bebê começou a chorar, longe. Era incômodo, mas suportável. Uma criança atrás de mim, com fome, começou a espernear - literalmente -, querendo comer. Massagem nas costas durante um vôo, maravilha!
A criança começou a gritar, e chorar. Agora a coisa estava ficando semi-suportável. Duas horas se passaram, e a aeromoça ainda estava na cabine do piloto, fazendo-se sabe lá o quê.
A criança continuava a espernear, gritar e chorar. O bebê continuava a chorar, agora mais alto. o limite do suportável estava começando a se romper.
- Daqui a pouco, senhor, por favor, tenha paciência. - Eu havia chamado a aeromoça novamente. Ela tinha o uniforme bagunçado, estranhamente.
- Daqui a pouco? Você disse isso há duas horas!
A aeromoça foi embora novamente, e eu estava à beira de um ataque de nervos. À beira, felizmente, ainda era suportável. A criança que esperneava jogou algo em minha cabeça, que caiu na minha mão. O suportável ficou insuportável. Levantei-me, e berrei o mais alto que pude. Eu vi a aeromoça correndo em minha direção, sem o chapéu. Fiquei confuso.
- Senhor, por favor, abaixe a arma! - Olhei minha mão, confuso. Vi na mão direita uma arma de brinquedo, que a criança havia jogado em mim. Meu olhar voltou à aeromoça.
- Diga-me, quando o almoço será servido? - Eu apontei a arma para a aeromoça, irritado.
- Logo, senhor, logo. - E voltei a me sentar.
***
Céu Infernal
Um dia desses, eu resolvi morrer. Não na vida real, claro, em imaginação. Cheguei aos portões do céu, e São Pedro veio me atender.
- Ah, olá! Você é Victor Fischer Biancardine, certo?
- Sou! - Respondi, entusiasmado. Quem não estaria?
- Ah sim, você é um escritor! E um bom, pelo visto (Ei, o sonho é meu. Eu posso matar pessoas com o olhar, se eu assim quiser, num sonho.)! Para os escritores, seres filosóficos e *chatos* (Ele tossiu), nós damos uma escolha: Ir para o Inferno ou o Céu.
- Que escolha óbvia! - Respondi, sorrindo.
- Sim, sim. Mas, por política da empresa, pedimos que o senhor visite os dois antes de escolher.
- Tudo bem, parece justo.
E fomos para o Inferno. Lá encontramos o Diabo, que explicou como o Inferno funcionava.
- É o seguinte - Explicou o Diabo, cansado. Parecia que ele detestava explicar sobre o Inferno
- Todos os dias, de 6 da manhã ao meio-dia, todos no Inferno recebem escoldas. Do meio-dia até às 6 da tarde, São chicotadas, com cera quente nas feridas. Das 6 da tarde até meia-noite, é tempo de descanso dos demônios. Então nós mergulhamos todos numa panela cheia de lava, e as deixamos lá até meia-noite.
- Da meia-noite até as seis da manhã, você descansa. Te pomos num freezer com temperatura de -256 ºC. Alguma pergunta?
Eu ainda estava meio embasbascado, mas consegui formular uma pergunta.
- Por que -256 ºC?
- Originalmente - O Diabo explicou, querendo parecer entediante. Conseguiu. - Eram -666 ºC. Mas aí um idiota quebrou o freezer, e agora essa é a temperatura mínima que ele chega.
- Por que não consertam?
O Diabo pareceu ficar furioso. São Pedro tratou de me tirar dali. "Ligeiro" Disse ele. Voltamos aos portões do Céu.
- Uma dica: Nunca pergunte ao Diabo por que seu freezer está quebrado. - Explicou São Pedro. - Agora, vamos ver o céu.
Ele então abriu os portões do céu. Dentro, vi um vazio branco de nuvens.
- No Céu - São Pedro começou a explicar, animado. - Você pode fazer tudo que é considerado Cristão e puro.
- E isso se resume a...? - Eu perguntei, aflito.
- Rezar. E descansar eternamente. A maioria faz o segundo.
- Não me surpreende. Mas, então, nada daquilo de fazer tudo o que você quiser, sem problemas?
- Está achando que isto é o Inferno? Aqui é um local sagrado!
Eu pensei longamente.
- Então - São pedro perguntou. - Posso lhe registrar no Céu?
- Não. - Eu respondi. São Pedro parecia surpreso. - Me registre no Inferno. É menos tortura.
***
Biancardine, OUT!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Formandos de 2008!

Sim, eu me formei! Ainda estudo, mas eu me formei! Foi uma formatura chata, mas enfim. Foi uma missa. Missa de formatura, imagina. "Estamos aqui reunidos para honrar a formatura destes estudantes em nome de deus."

O padre nosso que formou-nos, além de chato, era homossexual (Nada contra homossexuais, mas sempre pensei que a Igreja tinha um tabu contra eles.), propagandista ("Venham a minha paróquia ou vão para o inferno!") e incrivelmente alienado. Mas, fazer o que, Se a vida lhe der limões, venda-os e compre uma Coca-Cola. No final (Tão esperado) da formatura episcopal (Não sei aonde aprendi essa palavra. Sinceramente, nem quero saber.), veio uma formatura normal, esperada pelo público. Não fui orador (Teria sido mais engraçado), mas bem que queria ter sido. Nossos oradores não foram exatamente espetaculares. Acho que posso resumir o discurso deles.

"Nós estudamos feito o diabo, e graças a deus é que passamos (Quando deus fizer sua prova eu falo graças a deus. Até lá, graças a nós!). Somos como borboletas, que esperamos voar (Como? Não seriam larvas? Borboletas JÁ voam, larvas vão entrar num casulo para DEPOIS voar.), que vamos crescer (Não, jura?) e voar (Com a Gol.). É claro que não poderíamos estar aqui só por nossa conta (Afinal, o colégio custa caro.). Devemos agradecer a nossos professores, coordenadores, diretores (Só tivemos uma), e, como não podia deixar de ser, nossas famílias (Foram obrigados a pôr essa última parte. Alguma coisa me diz que minha mãe teve algo a ver com a história.). Formandos de 2008, nós passamos (Mas vocês não.), Cada um de nós que está aqui hoje (Epa, erro meu.), todos nós (Tirando aqueles dois ali, que repetiram, mas vieram comer o bolo que EU paguei.)."

Imagine você no meu lugar. Com duas pessoas (Nervosas) falando isso alternadamente, parecendo não ter preparação. Ah, bem, passei, não passei?(Isso foi uma retórica, por favor não responda em comentário ou falando em voz alta para seu computador.)

Biancardine, OUT!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Futuro

Estando em Novembro, a sombra das férias se aproximam. Promessas de felicidade, liberdade e até de um pouco de loucura. Mas também aproxima algo muito mais sombrio, obscuro e tentador.

Um ano. Em 2 meses este blog que você lê completará um ano. O que mais assusta nisto tudo, como não poderia deixar de ser, sou eu. Eu cresci e amadureci escrevendo aqui, criei meu próprio estilo, desenvolvi minhas estórias, comecei meus livros. E ainda tenho aquele velho olhar sarcástico que tinha dez meses atrás. O problema é a mudança. Eu não sou mais aquele garoto que começou o blog com um pouco de inspiração e muita Coca-Cola. Eu mudei. E, embora eu tenha mudado - E a Coca-Cola, invariavelmente, continuado - , eu olho para trás e me pergunto: "Será que eu ainda serei eu mesmo daqui a um ano?"

Mudar assusta, e assusta muito. O futuro, como é - E sempre será - imprevisível, nos faz ter medo de mudar, e se lembrar dos júbilos do passado. Mas, como a vida sempre muda, quer a gente queira ou não, temos de continuar. Meu medo de mudar ainda segue, mas a perspectiva do futuro me parece brilhante demais para ficar amedrontado.

Em fevereiro, quando comecei este blog, eu tinha muitos sonhos. Escrever meu livro, minha obra-prima (Como haveria de ser), e ganhar rios de dinheiro com ele. As aspirações eram muitas, as habilidades ainda a florescer. Desde então tive meus sucessos e meus descaminhos, mas sempre continuei na rota da literatura. É claro que hoje tenho tantas aspirações quanto tinha dez meses atrás, e embora eu goste da idéia de jogar tudo para o alto e apenas me concentrar nelas, eu tenho outras responsabilidades a fazer. Tudo a seu tempo, como um relógio diria.

Hoje continuo escrevendo, sonhando e estudando. Meus livros ainda estão fervendo na minha cabeça, e minhas responsabilidades se acumulam. Mas, como a vida em si, eu vou continuar a mudar, mas sempre continuando a ser quem eu sou. Pois não sou apenas um escritor,

Eu sou Biancardine, o Estoriador.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Loucura

Duas e meia. Tarde da tarde, este é o horário. Eu, em meu quarto ainda não bagunçado, ouvindo um bom Jazz, bebendo meu café com leite. Quatro colheres. Era o quanto de açúcar eu tomava por café. Lendo meu livro. E a batida, rolando, dançando aos meus ouvidos, como promessas dos demônios para os tolos.
Lia desinteressado, cansado, quase. Lia o mesmo livro, o maldito livro, que já o havia decorado de tanto ler. Lia sem prazer, lia com desgosto. Comecei a imaginar, a querer criar. Neguei-me a ir muito longe naqueles pensamentos ousados... Aquilo era conversa para outra hora.
O café acabou por se esvair, entrando em meu organismo. E naquele pensamento, que por mais que eu o repreendesse, insistia em voltar. Dançava, até então, o Jazz da vida. Dançava agora o Jazz da liberdade, do pensamento, da loucura, do puro e simples Jazz. Tocava o Saxofone, e ria quando errava as notas propositalmente. Improvisava até a hora em que o ritmo terminou, a música parou, e a repreensão voltou. Mas, que aquele momento de pura e simples liberdade não será esquecido, não será.
Afinal, sou o escritor dos mil demônios, das santas putarias, do sôfrego e simples empenho da liberdade. E o ritmo voltou. E começou tudo de novo. Só que agora mais rápido. O Saxofone, agora meu adversário naquela balada longa, insistia em não errar. O engraçado ficou chato, a liberdade ficou amarga, o sonho acabou. Por dias fui o mais louco dos loucos, naquele embalo de oito cafés mal feitos e muita festa. Mas, como foi dito antes, o sonho acabou. Voltei as minhas responsabilidades, as minhas aulas, a aquilo que chamamos de sistema.
Mas que um dia eu saio daqui, eu saio.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O Chantagista

Não sou apenas um escritor. Faço muitas coisas, algumas das quais não me orgulho, outras que me fazem estufar o peito e dizer: “Isso sim é o que significa ser o Estoriador!”
Este, meus caros leitores, é uma história real, sobre um caso que recebi. Não conheço o final, pois ainda não foi totalmente resolvido. Mas acho que será bastante interessante para vocês.
Estava em uma sala de bate-papo, jogando conversa fora com os presentes. Como o a sala era de um site Hacker, volta e meia aparecia alguém querendo que nós os ajudássemos a invadir o e-mail de alguém, ou o Orkut.
Começou algum assunto desinteressante, e resolvi só ouvir o que falavam. Então, entrou uma pessoa pedindo ajuda. Como moderador daquela sala, eu sou obrigado a ajudar quem a pede.
Eis que comecei a conversar com aquela pessoa. Ela, de um modo um pouco desesperado, começou a falar de um amigo, Júlio Brokenheart (Nome fictício), que estava sendo vítima de chantagem por um ex-namorado, Fernando Blackmail (Também fictício). Essa pessoa me confidenciou que Júlio havia tirado algumas fotos bastante constrangedoras com Fernando, e que o tal chantagista iria mostrar para os pais de Júlio, caso eles não voltassem a ter um relacionamento.
Interessando-me pelo assunto, resolvi ajudar, mas antes perguntei seu nome. Eliza, como me disse. Adicionei-a ao meu Messenger, e comecei a questionar sobre o tal chantagista. Segundo ela, o chantagista tinha todas as fotos no e-mail dele, e volta e meia ameaçava mostrar para os pais. Eu perguntei por que tanto alvoroço, afinal, só iria magoar os pais, que acabariam por se contentarem. Aconteceu que não era tão simples.
Segundo Eliza, os pais eram pastores de uma Igreja crente, e não só iria deixar os pais profundamente magoados, também iria fazer com que fossem demitidos da mesma, sem contar que seriam expulsos, já que moravam num quarto da Igreja.
Continuando minhas investigações, descobri o colégio ao qual freqüentava Fernando. Consegui muitas informações, e também quase consegui a senha. Aconteceu que não era tão simples.
Fernando era mais esperto do que se esperava, o que deixava impossível de descobrir sua senha sem fazer coisas mais ilegais. Desistindo de encontrar uma agulha no palheiro, decidi ajudar do jeito que conseguisse. Aparentemente, Fernando ora ameaçava, ora se desculpava. O sujeito, como foi deduzido, era mentalmente instável. O que consegui que fizessem, foi conversar com ele. Mas daí não fui mais necessário, então não sei o que se resolveu.Mas acho que, se acreditarmos um pouco em destino, nem será necessário especular.Certo?

Biancardine, OUT!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Água brocha

Quinta-feira, 21 de Agosto.Um restaurante, numa mesa para 11 pessoas, apenas eu, Victor Hugo, Caio e Júlia.Victor Hugo, com aquele cabelo emo irritante, que dava vontade de socar seu nariz só de olhar para aquilo, Caio, com seus óculos, seu ar arrogante completamente fora de contexto, e Júlia, me odiando por algum motivo que ainda não compreendo.Jogávamos Buraco, eu tinha duas canastras na mão, uma trinca e acho que um Ás.Chegou o garçom, que anotou nossos pedidos.Estavamos habituados a ir lá, afinal, era o restaurante de Paulo, pai de Caio.Victor Hugo, lembro-me bem, disse que queria uma Coca Cola Zero.O garçom, estranhando o pedido de Victor Hugo, perguntou se ele não preferiria um Mate.Ele, com seu cabelo emo que ainda quero encher de socos, respondeu a frase que não ouso esquecer: "Mate brocha".Pronto, o assunto não
calou-se a noite inteira.Chegavam os outros convidados, e tudo que víamos falavamos que brochava.Eu também, afinal, quando se está em um grupo não se pensa direito.Chegou Caio Schechner (Espero ter escrito o nome dele corretamente.Ele é uma dor nas partes baixas quando está irritado.), e sua namorada, Natália.Nós, naquela onda embriagada e intensamente louca que gosto de chamar de amizade, rindo de tudo, inclusive, e principalmente, de nós mesmos, falavamos todos os tipos de loucuras.Natália, em sua onda incessante que toda mulher tem de achar que está gorda, pediu água para o garçom.Victor Hugo, já meio louco com os amigos, disse, bastante alto, que água brochava.Natália, Caio Schechner, e eu, que estávamos sentados lado a lado, rimos um pouco, embora eu soubesse que Victor Hugo ainda não tinha acabado.Depois que rimos bastante, e Natália beijou Caio, Victor Hugo acrescentou o que eu temia.Ele, rindo ainda, disse "Beijo do Caio brocha".Eu já estava para sair da mesa, pegar uma panela na cozinha e me preparar para o fogo que viria de Natália e Caio.Mas nem tive que.Natália riu.Um riso inesperado, e um tanto malicioso.Caio acabou rindo também, mas eu acho que ele estava com um pouco de raiva.Mas, por fim, acabamos por rir de tudo o mais que "brochava" naquela conversa meia boca sem sentido.Boa noite, e vão na paz.Só não bebam água, porque água brocha.

Biancardine, OUT!

domingo, 3 de agosto de 2008

Êxodo

Não é muito díficil hoje em dia ver pessoas saindo do Rio de Janeiro para ir morar no campo criando porcos.Isso vem se tornando extremamente comum.Por que?Simples, as pessoas estão fugindo.Da violência, das drogas, dos policiais, da poluição...Estão formando um êxodo.Um êxodo essecialmente sobrevivente.É a primeira vez que vi isso acontecer com o Rio de Janeiro.Assim como, Moisés(Ou seja lá o nome daquele cara.), que para fugir da escravidão no Egito, bateu no chão com seu cajadinho de madeira, e, com sua infinita sabedoria concedida por uma árvore pegando fogo que preferiram chamar de Deus do que de trabalho para bombeiro, gritou:
"CORRE NEGADA!".E o povo correu, claro.Cada qual para o seu rumo, atravessando o mar a nado.Uma porrada de anos depois, agora é a vez do Carioca.Cada um fugindo do jeito que pode, seja de avião, de trem, a nado ou até a pé.Cada vez mais o Rio está ficando vazio.E as favelas aumentam.Eu imagino até que ponto vai chegar, que será nescessário um Moisés para gritar, para o povo se tocar e fugir.
Mas eu continuo aqui, afinal, se estou no campo de batalha, vou continuar abaixado, de cabeça erguida e - obviamente - de arma na mão.

Biancardine, OUT!

sábado, 26 de julho de 2008

Defenestrar?

Alguém já ouviu falar dessa palavra?Bem, para os incultos que não lêem dicionários, defenestrar significa o "Ato de atirar algo ou alguém janela afora", segundo o Aurélio, o Uol Dicionário, a Wikipédia, o Luís Fernando Veríssimo e o Google(Salve Google!).Eu sempre achei nossa língua estranha, mas isso!Fala sério, imagina alguém te ameaçar desse jeito!"Se você não trouxer o dinheiro em 24 horas, nós iremos defenestrar o presidente!"Eu imagino que essa palavra começou como um esporte que as mulheres zangadas faziam com os maridos...
Mulher:"Querido, você se lembra que dia é hoje?"
Homem:"Realmente não me lembro.Que dia é hoje?"
Mulher:"Hoje é o dia em que nos casamos.Lembra dos nossos votos?"
Homem:"Acho que prefiro não lembrar..."
Mulher:"Mas eu lembro:Aquele que se esquecece do nosso aniversário de casamento seria defenestrado!"
Homem:"Mas querida, estamos no terceiro andar!"
Mulher:Joga homem pela janela.

Será que defenestração é considerado um esporte radical?Bem, eu espero que não!Por que diabos esta palavra foi inventada?Será que as pessoas achavam LEGAL jogar umas as outras pela janela e ficar rindo enquanto elas se espatifavam no chão, quebrando uma costela ou duas?Cara, como o mundo era frio até então...Eu imagino se eu procurar na constituição brasileira acharei algo como:
"Lei 23414:
23/1/1987:
Nós da Assembléia Constituinte Brasileira, decidimos hoje que o ato de defenestração por esporte acima do segundo andar está outorgadamente ILEGAL.Qualquer tentativa de defenestração acima do andar permitido será punida de acordo com as injúrias sofridas pelo defenestrado.Caso a defenestração ocorra em casos de defesa própria, o defenestrador terá direito de permanecer imune ao ato."
Já pensou?Se bem que, até que faz sentido, embora seja totalmente ilógico.Será que antes dessa lei, nos restaurantes você acharia placas dizendo:
"Por motivos de segurança, é proibido defenestrar pessoas por janelas fechadas."
Bem, já vou indo, antes que algum leitor fanático me denefestre segurando um livro do "Apanhador no campo de centeio".
Eu denefestro, tu denefestras, ele denefestra, nós defenestramos, vós defenestreis, eles defenestram.

Biancardine, DEFENESTRADO!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Homens são de blogs, mulheres são de flogs?

És pois a era cibernética, as quais me refiro com um tom nostálgico de tempos longiquos e de livros antigos.Embora a linguagem seja antiga, a informação é bastante atual.A internet globalizou, e GLOBALIZOU LEGAL.Antes, as crianças brincavam de pião e batiam umas nas outras(Isso sim era interessante, quem voltasse para casa mais roxo ganhava não só uma surra na rua, como também outra em casa.), mas agora elas se matam em jogos virtuais, engordando cada vez mais e perdendo a dignidade, a vida, e a vontade própria(VIVA!!).E a rivalidade entre homens e mulheres continua.Como o título acima diz, homens fazem blogs, mulheres fazem flogs.Homens (blá blá blá, longa história, blá blá blá)...Desgraça da semana: finalmente arranjei um encontro com uma garota (Não perguntem como), eu me arrumo, compro flores (sou dos tempos velhos, ainda acho que isso vai me ajudar), enfim, faço tudo.Pego o Free Bus para encontrá-la no Rio Sul.Lá chego, espero, espero, e cadê a bendita?Depois de uma hora esperando, a garota me liga dizendo que não vai poder ir.Me desarrumo(Não ia ficar todo arrumado na frente do Free Bus, iam rir da minha cara de "Loser".), e passo na casa da bendita.Quando lá chego, encontro-a fazendo coisas indiscritíveis com um...bem, digamos, amigo(Nem sei se ela é uma profissional ou se era uma peça da minha cabeça.Espero que seja a primeira, não gosto da idéia de ser internado).Feliz?Você não arranja para si mesmo uma profissional só para ela te chifrar com um velho amigo seu(Sério, era um amigo meu.)!

Biancardine, OUT!

terça-feira, 8 de abril de 2008

Polícia prende garoto de catorze por nenhum motivo

Isso que você leu, eu fui preso.Bem, pelo menos eu saí (quase) inteiro.Vou dizer-lhes como foi:Primeiro, voltei do colégio, mais cedo, e peguei o Metrô.Aí, na roleta, ouvi alguém gritar.Fui olhar e bateram na minha cara (Não faço idéia do que foi, mas foi algo mais ou menos do formato de uma caixa de DVD).Tinha que ser logo na MINHA cara, claro.Não podia ser na cara do vizinho, na do colega do lado, na velha que estava gritando.Tinha que ser logo na minha cara.Mas claro, se não fosse na minha, que graça ia ter?Nenhuma, isso que eu digo.Se não tem desgraça, não tem graça.E se isso fosse poesia, eu me mataria.Mas enfim, Eu vi(No chão) que eram dois pivetes(Não tem outra palavra para descrever) roubando o caixa.Mas por que diabos eles bateram na porcaria da minha cabeça eu nunca vou saber.Enfim, a polícia veio, investigou as pessoas, e a velha apontou para mim(Ainda deitado no chão) e balbuciou alguma coisa.O policial me ajudou a levantar e me jogou no carro dele(Jogou mesmo, não botou, me usou praticamente como um aríete).Na delegacia de polícia, aí a coisa complicou.Eles começaram a achar que eu era cúmplice dos pivetes, e eu dizia que não era.Mas você acha que adiantou?NADA!Eles achavam que eu era um cúmplice, logo eu era um.Lógica extremamente razoável, certo?O pior foi quando eles prenderam os pivetes, que começaram a me "reconhecer".Pivetes filhos-da-puta...Enfim, fui liberado (Ainda não sei por que, mas nem quero saber.), e voltei para casa (de Metrô, você acha mesmo que a polícia ia me levar em casa?Bom, eu achava).E escrevi aqui.

Biancardine, OUT!