sexta-feira, 6 de agosto de 2010
O Prisioneiro
domingo, 18 de julho de 2010
Ecos
Tomando seu corpo
Iludindo sua mente
Navegando por seus olhos.
No horizonte, você a vê
Uma luz, pequena e frágil
Você corre em sua direção
E cai por trevas intermináveis.
No canto de seu olho,
Você sente sua presença
Alguma coisa vermelha
Sem forma ou aparência.
Tatea sem sentido,
Procurando sem motivo.
Ensurdecem seus olhos
O relapso de cores.
Formas desfiguradas dançam
Rindo à sua volta.
Você as reconhece, furioso.
O traidor e o plagiador.
Elas riem de você
Com você
Riem do quê?
E fecha seus olhos.
O silêncio lhe acalma
Mas não te ilumina.
Você olha ao redor
Nem mesmo uma luz.
O silêncio ensurdecedor
A escuridão cegante
O nada palpitante
O vazio lhe causa dor.
Subitamente,
Em sua frente,
Você não acredita em seus olhos
Conforme a luz lhe favorece.
Uma explosão de luz e cores,
Alegres e tristes,
Cansadas e eufóricas,
Mortas e vivas.
Por entre cada uma dança um homem
Um homem de trevas,
Ele sorri conforme a música toca,
E ri quando o silêncio volta.
Sua forma é clara como a noite,
Sua voz trazendo gritos de terror
Seus olhos uma visão do Inferno
Seu toque, uma sensação de morte.
E você corre. Corre, e corre.
Escuridão adentro, tropeçando e caíndo
Ele anda calmamente,
Pulando e sorrindo.
Então você a vê
Uma fonte de luz.
Corre em direção à ela
Deixando os terrores para trás.
Mas a luz apaga,
E a escuridão lhe absorve.
Você sente seu corpo,
Sendo examinado, destroçado.
E por fim, na escuridão,
Você sente um último toque.
Ouve uma última nota.
Vê uma última pintura.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Novembro
Do modo que você sorria?
Das palavras que você dizia?
Daquela paixão de Novembro?
O parque, na grama mal-cortada,
Você esqueceu do dia,
Eu lembrei da lua, mal-amada,
E do cão que nos latia.
Você esqueceu da vida.
Se rendeu por luxos,
Não chorou com a partida,
Preferiu amor de cartuchos.
Me amou e largou, desistiu
Se rendeu por um príncipe,
O ouro você seguiu.
Me prometeu amor,
Me deu apenas dor.
Me prometeu para sempre,
Me definiu como medíocre.
Eu corro por você,
Você me joga pedras.
Talvez não me ame mais,
Talvez não me queira mais.
Contemplava comigo o céu aberto,
Abraçava-me com aperto,
Sussurrava rimas bobas, feitas sem cuidado,
Eu respondia, "Talvez, num mundo malfadado"
Por ouro se seduziu,
Com um tolo daquele lado,
Foi ladrando, para seu agrado.
À que se reduziu?
Você foi tudo para mim,
Eu fui tudo para você.
Diz não sabe porque vim,
Eu respondo, "Por você, cadê?"
domingo, 31 de janeiro de 2010
O Abacaxi
Pelo jardim dourado.
O porco morreu à mando,
Seu roteiro estava misturado.
Existe uma baleia,
Apoiada num prego,
Preso na parede de meia,
Construído pelo ego.
O dente cantou desfigurado.
Sob o teto de um quadro relatado,
Na televisão do homem descerebrado.
Que chamou seu filho de viado.
O quadro vomitou no artista,
Quando o cafetão passeou de puta.
Estavam os dois na São Batista,
Quando o homem voou lá pra Combuta.
Sentou-se no prédio de arenito,
Tomou sua areia com chá.
Sentiu fome aqui e acolá,
Comeu de jantar um erudito.
O menino descobriu que era pai,
Antes mesmo de transar.
Por aquele garoto, puta nenhuma disse "Ai",
Acho que seria melhor ele se matar.
Hegemonia simbólica de falácia moral,
Talvez seja apenas um golpe hormonal,
Singelamente pronto para te foder,
Inocentemente estuprando seu ser.
Jok's so pa's for me ti las.
Nip so fi la ca so ma,
I on em so fez las mas,
It pere of tu la mesma.
Acho que enlouqueceu.
O dia anoiteceu claro,
Quando a manhã atingiu o crepúsculo.
O garoto tolo sentou no aro,
Seu pai beijou seu músculo.
A menina pobre,
Aprendeu bem rápido.
Teve que chupar e engolir,
Não teve escolha, era isso ou partir.
Comprou um cachorro quente de cobre.
Sentou-se, um babaca ávido.
O açougueiro deleitou-se.
Com o presente da filha,
Era lindo o que ela trouxe,
Mesmo tendo ela gozo na virilha.
Cinemático o monstro,
Que mata com as garras.
É real, no entanto, quem mata com vostro,
Ele apertou na mulher as amarras.
Cinderela se sentou,
No pau de outro homem,
Enquanto o príncipe estava dando,
Para o seu amante.
Mas eu te pergunto:
Eu te questiono:
Eu lhe imploro:
Aonde está o abacaxi?
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Vazio Devastador
Uma mão caridosa
Deixa de ser amorosa.
Sozinho fui deixado.
Roubaram-lhe de mim.
Reticências no teu olhar,
Petrificado como marfim.
Agora você foi, e estou a sobrar.
Ponho-me em pensado,
Sua atitude corajosa,
Me fez pensar se já fui amado.
Nunca fora calorosa.
Por ti sempre vim,
Nunca serei capaz de cantar,
Estou estendido no jardim,
Jamais serei capaz de andar.
A canção formosa acabou,
Você por ele me deixou,
Não se ponha a chorar,
Ainda há o que terminar.
O coração negro decepou-me,
Sob sua sombra estremeço,
Lâmina aquela que matou-me.
A ti nunca mais esqueço.
Apertou as cordas em volta?
Por favor, tenha certeza, não solta.
Botou-as no meu pescoço?
Ótimo. Puxe a corda. Não será embaraçoso.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Existe um fim
Sobre pedras de areia e mar,
A rosa de um coração sem par,
Sua expressão estava calma.
O túnel ensolarado fez contato,
Naquele Verão de neve,
Vomitou pensando em Demi Lovato.
Seu cérebro entrou em greve.
O horror foi provocado,
Quando deixou de ser jovial,
Percebeu, muito tarde: Estava mal.
Deixou-se ser arrebatado.
Anos prosseguiu, lutando bravamente.
Suas marcas e cicatrizes o marcaram.
Por fim descansou eternamente:
Suas dores o mataram.
E sua alma seguiu pelo deserto.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Movimentos para os Podres
Marca, mancha, cravo,
espinho, espinha.
Interpretação, interpretação...
Eu vou te matar?
Morte, morte
Dor, Dor
Sangue (sangue?).
Violência... Instável.
Sem sinais vitais.
Merda, merda.
Vácuo, vacúolo.
Tenso, tenso
Ativo.
É disso que se faz
Por isso que é feita,
Enquanto tiver lítio,
Pão, circo e orgia.
Eu não ligo, eu não me importo
De qualquer forma, sua boca estará cheia de vermes.
De qualquer forma, o Deus vira a merda do mendigo.
De qualquer forma é de qualquer forma.
A maior alergia é a vida que posso ter.
Minha diabetes é salgada pela falta do doce.
Doce, Doce. A vida é amarga.
Squirt idílico doce.
Oh! A falta de código se enriquece nos livros
A cultura às vezes é só uma opinião com perfume,
O abstrato do auto-retrato.
Sim, senhor e grande irmão
Vamos brincar de pseudo-democracia.
Sua piscina está cheia de ratos
E sua mente está cheia de vermes,
Alguém de um lugar remoto
Te controla na palma da mão.
Foliculite crônica...
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Doce Agulha Podre
A agulha adentra sua pele,
Um furo tão impreciso,
Prazer injetado que vele.
Aonde tudo deu errado?
Onde amor virou heroína?
Deixou teu corpo largado,
Quando deixastes de ser minha?
Quando destes sumiço,
Deixastes apenas um buraco,
Com uma carta, sentido postiço.
Enquanto apenas me encharco.
Vivemos juntos, em paz,
Até que tudo desapareceu.
Subitamente, não sou capaz,
Onde está o sentido, se eu era seu?
sábado, 9 de janeiro de 2010
Mistura Estranha
Ninguém é bonito por dentro.
Nada é o que parece.
Só tem um cheiro gosmento.
A cor vermelha
De uma imagem azul.
Sobre uma panela ajoelha,
Direcionado ao norte do sul.
O Natal é uma mentira,
Religião um artifício.
Tudo que é bom não respira,
E não te manda tomar num orifício.
Pobre podre nada pode.
O padre tem algo embaixo da bata.
Ao rico dedico este ode.
Enquanto ele não se mata (Tomara).
É apenas um idiota.
Tentando arranjar um trocado.
Mesmo sendo poliglota.
"Se prostitui" faz parte de seu legado.
A morte desmerece o homem,
O homem desmerece sorte.
Rápido, antes que cantem.
Chame de vez a morte.
domingo, 29 de novembro de 2009
A Fábrica
Dois à direita, giram a manivela.
Ancestrais do chefe, morreram na forca,
Os operários pararam, foram à capela.
A fábrica cresceu, se expandiu,
Robôs faziam o trabalho,
Operários foram ao retalho,
Do alto o chefe contou dinheiro e riu.
Toda vez que o robô morria,
Sempre se substituia.
Salário era pouco,
Apenas para quem não era louco.
A voz ativa era inexistente,
Quando o robô pegava no batente,
O trabalho era sua vida,
Que vida, em contrapartida.
O mesmo movimento hipnotizante,
Por anos e anos adiante.
Um robô viciado, um robô programado,
Um robô chamado humano, coitado.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Um Erro
Como um simples desenho,
Seríamos nós tão livres?
Um Erro meu,
Um Erro seu.
Um erro humano,
Quem diria, nosso.
Uma simples relação pai/filho,
Desmantelada por uma discussão,
Não existiria salvação?
Talvez pessoas só resolvam com um gatilho.
Entre as multidões, não existe esperança.
Não existe amor, vida, só andança.
O poeta, aonde foi? Na fila,
Tentando vender argila.
Um sonho de erros,
Sem um padrão,
De loucos sem perdão,
E escritores em enterros.
De que serve música
Quando o desespero fala mais alto?
De que serve a literatura,
Quando a desesperança impera nos papéis?
De que serve a arte,
Se nem eu nem você sabemos viver?
Talvez ser perfeito seja errar,
E depois tentar consertar.
Tentar a sorte,
Sem ter porte.
Ainda lembro de uma garota,
Que até hoje me consola.
De uma atitude marota,
Mas uma mente meio louca.
Ainda lembro de ouvir "Hey Jude",
De dançar até que o dia mude,
Ainda lembro da felicidade,
Embora só por vaidade.
Para que serve um erro,
Se não para ser consertado?
Para que serve uma desculpa,
Se não para criar outro erro?
Talvez a perfeição seja errar,
E consertar tudo pela tarde.
Não sei se é verdade,
Mas gosto de acreditar.
Algum dia também errarei,
E não sei se me desculparei.
Talvez o pensamento diga,
Que eu já também errei.
Biancardine, OUT!
sábado, 10 de outubro de 2009
Razão
Ficam os fortes.
Nascem os velhos,
Morrem os jovens.
A velhice inevitável
Que assola a humanidade,
Destrói a criatividade,
Te torna anti-amável.
Uma fuga desenfreada,
Um louco sem razão,
Doces sonhos em vazão,
Trabalhando com a enxada.
Verdades mentirosas,
Escuridão amorosa,
Cegueira da imagem
Mudez da canção.
O vício desesperado,
Mortos, o seu estado.
Uma cama vazia,
Sangue, depressão, azia.
Um filete mal-formado,
Que mal tem, um enfileirado?
Drogados entoando canções,
De seus negros corações.
A lúcidez inexistente,
em minha pobre mente.
A imagem que me assola,
Do tempo que me amola.
Biancardine, OUT!
domingo, 9 de agosto de 2009
Ode a um pai ausente
Bicicleta, nunca andei.
Sem pai, nunca tentei.
Sexo, aprendi sozinho,
Pois cadê o exemplo masculino?
Obrigado, pai.
Por este trauma que não se vai.
Se sem você estou melhor,
Com você estaria pior.
Se nunca aprendi contigo,
Vou aprender sozinho.
Se você não foi meu amigo,
Eu mesmo traçarei meu caminho.
É claro, sinto falta de um pai,
Mas quem diria, que o filho,
Seria mais maduro que o pai?
Obrigado, pai.
Por este trauma que não se vai.
Se sem você estou melhor,
Com você estaria pior.
Se algum dia eu te respeitei,
Se algum dia eu te perdoei,
Sinto muito por ter te amado,
Sinto muito por ter te admirado.
Obrigado, pai.
Por este trauma que não se vai.
Se sem você estou melhor,
Com você estaria pior.
sábado, 25 de julho de 2009
Pontual
Tac.
Tic.
Tac.
O Sol sobe.
Tic.
Pessoas levantam.
Tac.
O Sol desce.
Tic.
Pessoas adoecem.
Tac.
O trabalho está por ser feito.
Tic.
O almoço está por ser cozido.
Tac.
O trabalho depois de concluído.
Tic.
O jantar de um belo Domingo.
Tac.
O bebê nasce.
Tic.
O avô morre.
Tac.
A família cresce.
Tic.
E se esquece.
Tac.
O tempo passa.
Tic.
O prédio despedaça.
Tac.
A lembrança se apaga.
Tic.
O homem se mata.
Tac.
O pai vira avô.
Tic.
O neto vira pai.
Tac.
O filho vira tio.
Tic.
O sobrinho vira presunto.
Tac.
A Igreja cai.
Tic.
O império morre.
Tac.
O homem chora.
Tic.
Enquanto o relógio quebra.
Plac!
domingo, 31 de agosto de 2008
Jazz
----Ritmo,
-----Isso que
------Define
------Tudo.
-----Somos
-----Vivos,------------Talvez um pouco
-----Loucos.----------Mas afinal, somos
-----Apenas----------pessoas, vivas no
-----Sentido---------de viver, de amar.
-----De chorar, de gostar, de odiar.Mas,
-----Afinal, o que podemos fazer,pois, se
------Dançamos ao ritmo do Jazz.
---------Da doce vida nossa...