Em matéria de roupas, eu sou um retardado. Nunca consigo diferenciar seda de algodão. Eu lembro que, numa sexta, eu fui comprar um terno. Festas de quinze anos, coisa e tal. Nunca gostei da minha própria imagem num terno, sempre me achei um ser selvagem, atípico, e um terno não combina com esse meu "visual". Enfim.
Comprei meu terno, coisa e tal. Resolvi ir a Renner. Esperei não encontrar um daqueles vendedores, pois, até porque, eu me lembro de um capítulo da minha vida em que eu insisti que queria um pijama de seda (Sim, sei, é gay.). Fui numa loja, e o cara foi me explicando os tipos de seda.
- Ah, bem. Nós temos a seda endurecida, que é mais resistente, mas um pouco mais desconfortável. Também temos a repassada, que é muito mais confortável, mas não pode nem ser lavada numa máquina.
- Desculpe, eu disse pijama de seda? Eu quis dizer calça jeans.
Continuando...
Eu estava na Renner, e via milhares de diferentes roupas. Uma patricinha adoraria esse lugar. Eu tenho medo. Andei por aí, e vi certas roupas. Jaqueta de couro, a primeira que vi. Certamente dizia "Sou contra a sociedade. Não é verdade, mas eu minto.". Ou então, "Tenho fios brancos, socorro!".
Ao lado, uma calça de couro. "Me segurem" ela gritava. Boné? "Não tenho dinheiro para transplante capilar." Calça branca, jaqueta branca, camisa roxa? "Nunca saí da era Disco." Calça apertada um pouco demais? "Ai, Disco!"
E, numa mesinha esquecida, uma boina. Coisa de artista francês, mulheres e Che Guevaras. Resolvi experimentar. Me vi no espelho e tomei um susto. Eu parecia alguém diferente, um filósofo, um poeta. Finalmente minha aparência refletia quem eu realmente era. Parecia um pensador, um revolucionário.
Era como se minha vida tivesse se divido em duas partes. A.B. e D.B. Antes e depois da boina. Como se toda minha vida eu estivesse cego para minha aparência, mas que depois daquela experiência, todos pudessem ver quem eu realmente era.
Pus a boina de volta em seu lugar, e fui ver a jaqueta de couro uma outra vez.
Biancardine, OUT!
Nenhum comentário:
Postar um comentário