segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Loucura

Duas e meia. Tarde da tarde, este é o horário. Eu, em meu quarto ainda não bagunçado, ouvindo um bom Jazz, bebendo meu café com leite. Quatro colheres. Era o quanto de açúcar eu tomava por café. Lendo meu livro. E a batida, rolando, dançando aos meus ouvidos, como promessas dos demônios para os tolos.
Lia desinteressado, cansado, quase. Lia o mesmo livro, o maldito livro, que já o havia decorado de tanto ler. Lia sem prazer, lia com desgosto. Comecei a imaginar, a querer criar. Neguei-me a ir muito longe naqueles pensamentos ousados... Aquilo era conversa para outra hora.
O café acabou por se esvair, entrando em meu organismo. E naquele pensamento, que por mais que eu o repreendesse, insistia em voltar. Dançava, até então, o Jazz da vida. Dançava agora o Jazz da liberdade, do pensamento, da loucura, do puro e simples Jazz. Tocava o Saxofone, e ria quando errava as notas propositalmente. Improvisava até a hora em que o ritmo terminou, a música parou, e a repreensão voltou. Mas, que aquele momento de pura e simples liberdade não será esquecido, não será.
Afinal, sou o escritor dos mil demônios, das santas putarias, do sôfrego e simples empenho da liberdade. E o ritmo voltou. E começou tudo de novo. Só que agora mais rápido. O Saxofone, agora meu adversário naquela balada longa, insistia em não errar. O engraçado ficou chato, a liberdade ficou amarga, o sonho acabou. Por dias fui o mais louco dos loucos, naquele embalo de oito cafés mal feitos e muita festa. Mas, como foi dito antes, o sonho acabou. Voltei as minhas responsabilidades, as minhas aulas, a aquilo que chamamos de sistema.
Mas que um dia eu saio daqui, eu saio.

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