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quarta-feira, 14 de abril de 2010

O Sentido da Vida

O que "Deus" criou em seis dias, Victor Biancardine estragou em três horas.

É muitas vezes dito que a história é escrita pelos heróis, e que estes são imortalizados por ela. Enquanto é de fato verdade que existem aqueles que serão para sempre lembrados, não é menos verdade que muitos desses heróis estariam mortos, decapitados e muito provavelmente defecados em cima caso não fossem agradáveis com aqueles que os ajudaram a chegar onde chegaram.

Embora a história seja algo interessante de se discutir, muitas vezes as pessoas comuns preferem falar sobre algo mais surreal e inexistente do que a própria origem: O sentido da vida. Também é conhecido que muitos ganham a vida fingindo tentar descobrir essa questão não tão fundamental.

E, embora também fale de origens históricas e o fálico sentido da vida, esta história não se trata de nenhum destes. Esta história é sobre um homem e uma mulher, que compartilhavam um mútuo amor entre si, e por Dire Straits.

O homem desta história não é um herói. De fato, ele gosta muito de se achar um “Cara malvado”, apesar de, na verdade, ser um “Cara bacana”. E, como todo “Cara bacana”, John era um “Corno”.

John trabalhava para o governo. Não gostava do trabalho, e nem do governo. Ele tinha uma paixão pela escrita, mas nunca tomou uma chance com ela, e simplesmente se acomodou no trabalho miserável que tinha.

Ele, como grande parte de sua geração, aprendeu sobre o amor com filmes românticos, músicas de pop mal-escritas e cenários shakespearianos de Romeu & Julieta em geral. Ele era, portanto, um tolo.

Lily, no entanto, não acreditava no amor. Ela acreditava que existiam idiotas, e que existiam os chatos, e que ela era da segunda categoria, apesar das tentativas desesperadas de seus pais de fazê-la ter mais fé na vida.

Ela, ao contrário de John, gostava de sair, apesar de sempre reclamar das músicas. John gostava de rock, apesar de sempre reclamar de sair. Naquela festa mal-sucedida, no entanto, John compareceu, sob ameaças de morte pelos seus amigos mais próximos.

Ele andava pelo bar, pensando em sabe-se lá o quê, quando esbarrou na garota que gosta de ser chamada de Lily, num sentido bem literal da palavra.

Quando ele olhou Lily pela primeira vez, ele pensou em como os olhos verdes dela eram lindos, seus cabelos castanhos bem destacados, seu corpo extremamente bem delineado, e em como a sorte parecia ter lhe sorrido pela primeira vez em vários anos.

Ela, por sua vez, considerou tal encontro inconveniente, um pouco irritante, e um tanto quanto doloroso. Mark, amigo de John, no entanto, achou aquilo um tanto quanto surreal para ser verdadeiro.

- Ai! - Foram as primeiras palavras escutadas por John de Lily.
- Desculpa, eu estava distraído.
- É, você deveria se desculpar. Isso doeu. Preste atenção, droga!
- Olha, eu já me desculpei. Quer que eu faça o quê? Volte no tempo e impeça-me de esbarrar em você?
- Tá, tá, dane-se. Nem sei porquê vim aqui de qualquer forma...
- Bem, eu realmente sinto muito... Será que eu posso te... Pagar uma bebida?
- Ah, você bate em mim, e depois se oferece para me pagar uma bebida?
- Eu não bati em você! Eu esbarrei em você!
- Certo, certo. Bem, já que você vai me pagar uma bebida, você vai me dizer o seu nome?
- É John.
- Bem, John, você é um desastrado. Obrigada pela bebida, o nome é Lily, e adeus.

Para John, aquilo era o começo de algo estranho. Bom, mas ainda assim estranho. Não chegou a descobrir, mas estava certo. Lily simplesmente estava irritada demais para achar alguma coisa. No entanto, depois se sentiu mal por ter descontado naquele “Pobre garoto”.

A raridade de John sair de casa, ainda mais para ir para uma festa, sempre era marcada com sua total reclusão logo após, geralmente acompanhada de uma ressaca. E, se ele tivesse um pouco de sorte, apenas 20% de sua mente desejava se matar, que era rapidamente calada por uma dose descomunal de aspirina.

- Noite difícil? - Disse a figura que quase o fez ter um ataque cardíaco.
- Como você entrou?
- Não importa. Como foi a festa?
- Como você entrou? - John repetiu, no mesmo tom de desespero.
- Como foi a festa?
- Eu te digo se você me disser como entrou.
- Tudo bem. Você me deu uma chave extra há uns dois meses.
- Eu nunca te dei uma chave extra!
- Olha, não interessa. Como foi a festa?
- Foi... Bem. Eu esbarrei numa mulher tão bonita que faria qualquer outra parecer um demônio mal-encarado, ela ficou irritada comigo, eu paguei uma bebida para ela e ela foi embora reclamando. Depois disso eu não me lembro mais nada.
- Belo modo de insultar sua melhor amiga e ainda por cima demonstrar traços de alcoolismo.
- Obrigado, eu pratiquei a manhã toda.
- Pensei que você estivesse desacordado a manhã toda.
- Não, eu acordei umas três horas atrás. Estava me decidindo entre me levantar para tomar aspirina ou me levantar para tomar veneno.
- Eu ainda sonho com o dia em que você vai parar de brincar com uma coisa tão séria quanto suicídio.
- E eu ainda sonho com o dia em que você vai parar de entrar no meu apartamento e me dar ataques cardíacos.
- Como desejar, Sr. John. - Ela se lembrou de uma brincadeira que os dois faziam quando eram crianças.
- Muito obrigado, Sra. Lidna. - O nome dela, John se lembrou, foi um erro no cartório para o nome “Linda”. Ela, no entanto, gostava disso, pois assim não “a confundiam com Linda McCartney”. Qual sentido isso fazia ele não sabia.
- Bem, eu tenho que ir trabalhar, quando você for embora tranque a casa, ok?
- Não, não, eu vou com você. Você me dá uma carona até em casa.
- E por “Carona” você quer dizer pagar a sua passagem de ônibus.
- Você me entende - Ela sorriu, sarcástica.

John todo dia chegava atrasado ao trabalho. Ele não chegava atrasado por desejar, ou por erro, ele chegava atrasado por simplesmente ficar preso no trânsito de oito da manhã, e não querer fazer como seu chefe e sair de casa duas horas antes.

Seu chefe, como diriam os imbecis que acham que estão fazendo algo de útil quando se chamam de “Filósofos”, era um niilista, e portanto não ligava a mínima para si, para seus empregados, e sentia um desprezo inacreditável por John. Ele não era de fato um niilista, era apenas rabugento, mas “Niilista” soa melhor que “Babaca”.

- John! É a oitava vez seguida que você chega atrasado! Onde você tem andado, seu imbecil?
- Não no trânsito, eu lhe garanto.
- Escute! Eu não quero saber do trânsito! Eu não quero saber se você quer se matar! Você tem que chegar aqui na hora, e tem que chegar sempre! Se isso significa que você tem que sair da porra da favela às três da manhã, faça! É sua última chance, rapaz... Se você chegar atrasado de novo...
- Você vai fazer o quê? Me demitir? Nós trabalhamos para o governo, não tem como alguém ser demitido sem uma audiência antes.
- Talvez não, mas isso não me impede de transferi-lo para algum confim do Brasil! Você prefere o Acre, ou a Amazônia?
- Senhor Marks, acho que você tem uma visão extremamente errada sobre essas duas áreas.
- Foda-se! Escute, rapaz. Eu não ligo a mínima para o Acre, Amazônia, Brasília, e o resto. Eu ligo para mim. Ninguém se importa comigo exceto eu, assim como ninguém se importa com você exceto você. Agora, ou você começa a chegar na hora, ou vai ter que ligar para si mesmo na floresta, no meio de um bando de índios!

Por uma estranha coincidência inacreditavelmente improvável, quase que para provar a visão dele, um pequeno peixe, um arenque, se formou espontaneamente no tanque de gasolina do carro do Sr. Marks, que, em seu breve período de vida, teve apenas o pensamento “Tomara que não tenham pescadores aqui” antes de ser sugado para o motor do carro e efetivamente triturado.

John estava deitado, deprimido e sem ter o que fazer, como toda Segunda à noite. De fato, como todo dia à noite. Seu celular estava tocando, mas ele resolveu esperar doze segundos e meio antes de atender. O porquê, embora ele não soubesse, vinha de um de seus familiares distantes, que, sendo um poeta e músico reconhecido mundialmente, sabia muito bem que qualquer música boa deveria ter doze segundos e meio para cada cinco notas. Ele, é claro, desconhecia que um de seus familiares usaria esse mesmo tempo como tempo de espera antes de atender uma ligação, o que provavelmente o faria gritar “atende o telefone, babaca!” para ele.

- Alô? - Passaram-se doze segundos e meio.
- John! Eu preciso te pedir um favor. - Era Lidna.
- Às... Oito da noite? - John desistiu de arranjar uma desculpa, percebendo o quanto patético estava - Tudo bem. O que é?
- Uma amiga minha está presa numa festa. O namorado à largou lá, depois de brigar com ela, e ela não tem dinheiro para ir para casa.
- E você não pode ir por quê...?
- Porque eu estou trabalhando, caso você não se lembre.
- Ah, é, você trabalha como stripper.
- Bartender, idiota. Mas você pode buscá-la para mim? Ela está no clube Mikhail und Lieberschain.
- Tudo bem, eu busco ela.
- Obrigada. Depois eu te dou o dinheiro da passagem.
- Não, não precisa.
- Tudo bem então. Eu vou ligar pra ela e avisá-la.

Mikhail und Lieberschain era a maior boate do Rio de Janeiro. Ela tocava péssima música - Funk em geral -, mas era bem-sucedida pelo simples fato de ter um nome em alemão e se chamar de “A boate mais exclusiva do Rio”. Como resultado, toda a elite do Rio de Janeiro - Sendo considerado “Elite” qualquer um que tenha feito um papel numa novela - encontrava seu lar lá, em meio à péssima música e bebidas ainda piores.

John, no entanto, não ligava a mínima para a boate, para o funk, para a elite e nem para novelas. Ele simplesmente estava entediado o suficiente para fazer algo altruísta. Na porta do clube, no entanto, ele se surpreendeu.

Sentada no banco do ônibus, estava Lily, quem ele conhecera na festa, e que simplesmente tomou uma bebida e foi embora. Seu primeiro instinto foi deixá-la ali, mas algo nele o fez sair do ônibus e chamar por ela.

- Lily?
- Sim! Você é o amigo da Lidna?
- Sim, sim.
- Espera, você me parece familiar...
- Ontem eu te paguei uma bebida numa festa, e você me insultou.
- Eu sabia que você parecia familiar. E se me lembro bem, você bateu em mim.
- Eu esbarrei - John corrigiu rispidamente - em você. E já pedi desculpas mais vezes do que posso contar. Mas, isso não importa, eu vou te levar para casa.
- E como você pretende fazer isso?
- De ônibus.
- O mesmo ônibus que acaba de sair?
- Sim, o mesmo ônibus que acaba de sair - John retrucou firmemente, apesar de ter tentado apalpar o - Já não mais ali - ônibus.
- Belo resgate, John.
- Obrigado. E obrigado de novo por lembrar-se do meu nome. Agora, quando passa o próximo ônibus?
- Acho que em uma hora.
- Uma hora? Eu posso ir para casa a pé mais rápido que isso.
- É, bem, eu não posso. Você pode me emprestar dinheiro para um táxi?
- Com prazer, se eu tivesse.
- “Se” você tivesse? Que tipo de idiota anda na rua com dinheiro exato para a passagem de ônibus?
- É, é... Eu sou um idiota, blá blá... Escuta, aqui está o dinheiro para o ônibus, adeus e obrigado por todos os insultos - John se virou para ir embora, quando ouviu a voz relutante de Lily.
- Ei... John?
- Sim?
- Será que você pode... Esperar comigo? Não conheço essas partes, e não quero ficar sozinha.
- Sozinha? Tudo bem... Eu fico com você.
- Obrigada.
- De nada, medrosa.
- Vá se ferrar.
- É, bem, por mais que eu adore nossas conversas, eu vou ouvir um pouco de música. Sinta-se livre para continuar falando, no entanto. Aposto que, se passar algum médico por aqui, ele pode te pôr num manicômio.

Lily passou meia hora sem falar nada, e já estava morta de tédio. Por mais que detestasse a idéia, tentou puxar assunto com o idiota ao seu lado. Que, por sinal, estava quase fazendo a mesma coisa. Não por tédio, mas por interesse.

- Então... - Ela começou.
- Sim?
- Que música você está ouvindo?
- Ah... Você provavelmente não vai gostar.
- Vamos, me diga.
- Tudo bem... - John passou um dos fones de ouvido para ela, que imediatamente reconheceu o som da guitarra de Eric Clapton tocando “Strange Brew”.
- Cream? Você gosta de Cream?
- Sim, eu adoro. Gosto de música velha mesmo.
- Inacreditável.
- O quê?
- Eu também.
- Uau.
- O quê?
- Você não parece o tipo de pessoa que goste de Rock.
- É bem, você também não. Você parece do tipo que gosta de Pop.
- E você parece do tipo que gosta de “Proibidão” - John sabia que ia levar um tapa. E, de fato, levou, com a surpresa de que ambos estavam rindo.

Os dois passaram duas horas conversando, embora parecessem ter passado apenas dez minutos. Por fim, desistiram do ônibus. John queria chamá-la para ir para a casa dele, mas não tinha a coragem para isso. Ela, no entanto, se ofereceu para ir. Ambos nunca saberiam, mas o fato de quase nunca passarem ônibus em frente ao Mikhail und Lieberschain era um dos fatores decisivos para a “exclusividade” do clube.

O apartamento de John era, assim como ele próprio, uma bagunça. Lily não pareceu se importar, inclusive dizendo que “A lembrava de sua casa”. Sentou-se na cama, esperando algum tipo de cantada barata por parte de John, que quebraria instantaneamente todo o interesse que ela sentia por ele. Nunca ocorreu.

- Aqui está o dinheiro para o táxi - John ofereceu uma quantia de dinheiro, timidamente.
- Eu mudei de idéia.
- Hein?
- Posso passar a noite aqui?
- Ah... Pode! - Na mente dele, ele levou um tapa de sua consciência - Eu vou dormir na sala, então você pode ficar na cama - Ele levou outro tapa.
- Tudo bem... Mas você vai dormir agora?
- Não, por quê?
- Nada, só quero conversar um pouco mais.
- Tudo bem... Só vou botar uma música então, ok? Vou botar baixo, não se preocupe.

John pôs para tocar sua seleção de “Rock & Roll” que ele passava horas baixando. Começou com Jimi Hendrix, o que causou a começa da conversa, que, de outra forma, seria mais tímida. Depois de alguns minutos de conversa, no entanto, começou a tocar Dire Straits.

Existe uma certa magia relacionada à Dire Straits. Numa pesquisa britânica para descobrir quais eram os afrodisíacos mais potentes que não fosse drogas, Dire Straits ficou em segundo, perdendo apenas para dinheiro, o que provavelmente demonstra uma certa ironia.

John acordou na manhã seguinte, sozinho - E sim,os dois transaram. Em um resumo breve, ele foi bom o suficiente para ela falar para Lidna -, com seu celular tocando. Ele atendeu após doze segundos e meio, ouvindo insultos imaginários de seu ancestral músico.

- Eu disse pra você ir buscá-la! Não transar com ela!
- Bem, da próxima vez seja mais específica.
- Muito engraçado. Afinal, o que diabos você acha que está fazendo?
- “O que diabos estou fazendo”? Como assim?
- Ela está namorando, seu tonto.
- É, você me falou isso ontem.
- E você não está sentindo nem ao menos uma pontada de ironia com isso tudo? Especialmente desde que sua última namorada...
- Eu ainda me lembro o que aconteceu entre minha ex-namorada e seu ex-namorado, mas isso não importa. Foi coisa de uma vez apenas. Eu nem tenho o telefone dela, e nem ela o meu. Não é como se ela fosse contar para o namorado nem nada. E, de vez em quando, é bom ser cruel com o mundo, especialmente quando ele só te tratou mal.
- Detesto interromper sua lenta descida à insanidade e vadiagem, mas ela me contou, o que significa que talvez ela também conte para o namorado.
- Bem, eu duvido. Ei, que horas são?
- Nove, por quê? - John quase engasgou.
- Estou atrasado! Tenho que ir, tchau!

John, como não deve ser surpresa, chegou atrasado. E foi apresentado duas escolhas igualmente desastrosas e deprimentes: Ser transferido para Manaus, ou pedir demissão. Ele escolheu a segunda.

Em casa, perambulava sem rumo. Tinha dinheiro o suficiente para se manter por três meses, mas era só. Se acabassem esses três meses e ele ainda estivesse sem emprego, estaria acabado. Não teria dinheiro para o aluguel, não teria dinheiro para comer, não teria saída.

No entanto, ele simplesmente ligou o computador. Checou os e-mails abriu o Word, e bateu a cabeça no teclado, formando, por uma estranha coincidência, a palavra “Merda”, entre outras coisas ilegíveis.

John não era o tipo de homem que lidava bem com situações desesperadoras. E, como todo homem que não lida bem com situações desesperadoras, ele se embebedou. Se embebedou e escreveu, durante uma semana.

Ao final da semana, ele estava morto. Bem, não morto, mas devidamente exausto. E não se animou muito quando ouviu a porta do seu quarto se abrindo. Era, para seu desgosto, Lidna. Ela se jogou em cima dele, tentando ressuscitá-lo.

- Lidna.
- Ei! Você está bem! Você sabe o susto que me deu? Você passou a semana inteira sem nem ao menos dar notícias! Não entrou no MSN, não atendeu o telefone, nada! Eu pensei que você tivesse morrido!
- Bem, eu estou morto de cansaço, mas agradeço a preocupação. Você pode sair de cima de mim agora?
- Ah, sim, claro, claro - Ela se levantou, um pouco envergonhada.
- Ei, o que é isso? - Ela começou a ler o que John passou a semana inteira escrevendo.
- Nada! Não é nada! Vamos, saia daí.
- Hey, isso é bom. Engraçado. Quem escreveu?
- Fui... Eu.
- Você? Jura? Mas você não tinha desistido de escrever?
- É, eu tinha, mas eu fui demitido.
- O quê! Demitido? Mas você não trabalha - Bem, trabalhava, para o governo?
- Sim, e eu não fui “Demitido” por alguém me demitir, eu pedi demissão.
- Pediu?! Seu idiota! Eu sei que é ruim, mas você precisa trabalhar!
- Se eu ficasse, eu seria transferido para Manaus.
- Ah. Bem... Então... É diferente. Deveria ter falado logo.
- É, talvez eu devesse.
- Mas, sobre o texto...
- Não.
- É bom. Você tem talento. Sempre teve.
- Não!
- Isso está bom, John. Por que você não tenta publicar? Eu já vi que tem umas duzentas e poucas páginas.
- Está completo, e eu não vou tentar publicar.
- Por que não?
- Porque não. Eu não sou bom em escrever.
- Se você diz... - Ela suspirou - Ah! Isso me lembra. A Lily andou falando comigo sobre você, e quer que você dê uma ligada para ela.
- Quer? Por quê?
- Não sei. Mas aqui está o telefone. Ligue se quiser.
- Tudo bem, obrigado.
- Bem, eu vou embora então, já que você não é um cadáver.
- É, muito obrigado por quase me matar tentando me salvar.
- De nada, amigo. Ligue se precisar de mais uma dose.
- Você é minha amiga, não meu traficante!
- Tanto faz! - E foi embora.

John ponderou sobre o telefone durante algum tempo. Era tempo o suficiente para decorá-lo, mas não o suficiente para que ele pudesse alucinar olhando para o pedaço de papel. Por fim, desistiu, e ligou.

- Lily?
- Oi! Sabia que você ia ligar.
- Bem, eu quase não liguei.
- Não? Por quê?
- Porque, sinceramente, eu quase fui morto pela Lidna enquanto ela tentava me “Salvar”.
- Ah - Ela riu, eu sei como é. Foi assim comigo quando eu tomei meu primeiro porre.
- Comigo também, só que na época ela era bem menor.
- Quantos anos vocês tinham?
- Foram uns... Seis anos atrás... Eu tinha 14.
- Uau. Parece chato.
- Não, era divertido. O chato foi ela pulando na minha barriga.
- Posso imaginar - Ela riu outra vez. - Escuta, o motivo que eu queria que você me ligasse... Eu quero te ver de novo... Mas eu não quero largar meu namorado. Será que eu posso ir aí hoje de noite?

Uma coisa interessante e curiosa de se observar é o efeito de uma mulher sobre um homem. John passou de um anti-social rabugento que mal saía de casa para um anti-social rabugento que saía de casa para ir visitar sua amante. Talvez não fosse uma grande mudança, mas ainda assim era uma mudança.

Três meses vieram e foram, e John sentia-se mais e mais apaixonado por Lily. No entanto, o mais que ele se aproximava dela, mais ele se distanciava de Lidna, que, por sua vez, também não falava com ele. Foi só ao fim de três meses sem fazer nada exceto passar tempo com ela que a vida dele desabou por completo.

- John.
- Sim?
- John, eu não posso mais fazer isso.
- Como assim?
- Eu não posso mais vir aqui, nem você vir em minha casa...
- Por que não?!
- John, ontem à noite, meu namorado me fez uma proposta.
- Que proposta? - Ele perguntou, mesmo já sabendo a resposta.
- Ele... - Ela não conseguiu falar. Apenas mostrou o anel em seu dedo.
- Mas... Mas você me ama!
- Não, eu não amo.
- Sim, você ama. E você sabe que ama!
- Eu não amo, e nunca amei! O que nós fizemos foi um erro, e eu não quero mais te ver!
- Certo... - John disse, simplesmente - Continue repetindo isso. Quem sabe algum dia alguém acredite em você. Já que é adeus, então pode ir. Eu não vou te impedir.
- John... Eu... Sinto muito. Adeus.

John se jogou na cama, exausto, deprimido, e chorando. Não conseguia manter aquilo dentro de si, mas não lembrava de ninguém para compartilhá-lo. Então, por acaso, se lembrou de Lidna. Procurou o telefone dela, e ligou. Meia hora depois, ela estava na casa dele.

- Então... Ela vai se casar.
- Sim.
- E você não vai fazer nada?
- Não.
- Como assim, não?! John, você ama ela.
- Sim, eu amo, mas quem se importa?
- Como?
- Você, por acaso, seria capaz de acabar com a felicidade de duas pessoas apenas pela sua própria? Que muito provavelmente nem vá durar?
- John...
- Eu sei que ela me ama, eu sei. Mas ela ama o namorado mais. Eu não quero estragar a felicidade de outras pessoas só pela minha própria. Eu conheço esse tipo de cara, e eu odeio esse tipo de cara. Eu não quero me tornar ele. Eu...
- John! Cale a boca!
- Hein?! - Ele se calou, assustado.
- Argh, toda vez. Toda vez, é assim, John. Você acha algo que quer, que você deseja, mas nunca vai atrás. Você nunca se arrisca, nunca aproveita uma chance, sempre se amedronta e foge para o que lhe parece mais seguro! Desculpe, John, eu te amo, e eu te amei por onze anos, mas isso é demais. Eu não sou mais sua amiga. Eu não te conheço mais. Não me ligue. Eu não quero ter de sofrer só porque você não consegue perceber o que é importante ou não. Adeus.
- Lidna! Espere!
- Não. Adeus. - E, da mesma maneira que Lily, foi embora, para sempre.

John foi deixado à própria sorte, na escuridão. Ele deitou no chão, pensando. Lidna estava certa. Ele não podia ficar a vida inteira se escondendo. Ele tinha que se arriscar. E, naquele momento, era tudo ou nada.

No dia seguinte, de manhã cedo, ele tomou banho, e se arrumou. Pegou o que tinha que pegar, e saiu. Atravessou a cidade em quinze minutos, e finalmente chegou aonde queria. Segurou o pacote com força, e entrou no prédio. Acima da porta, liam-se as palavras “Editora Redação”.

Bem, e assim termina a história de John. Pelo menos a história que será contada hoje. Talvez vocês reclamem que ele não terminou nem com Lily, e nem com Lidna, mas a vida não funciona assim. Muitas vezes, um “Adeus” de fato é para sempre.

Mas, quem sabe? Talvez no futuro. A vida dá voltas.

Agora, sobre o “Sentido da Vida” prometido no título, ele já foi entregue. Caso você tenha perdido, re-leia o conto.

Re-leu? Ainda não achou? Então vou te contar.

O Sentido da Vida, caro leitor, é como um arenque espontaneamente formado no tanque de gasolina de um carro. Não faz muito sentido, dura pouco, e, honestamente, não importa muito. Exceto para o dono do carro, claro.

Não gostou? Pois bem. Há um número de anos, um escritor descobriu o sentido da vida, mas ele era tão simples, numérico e inocente, que foi simplesmente tomado como piada e ignorado pela maioria. A ironia - A vida está cheia delas -, é que aquilo era, de fato, o sentido da vida.

A humanidade, caro leitor, é um tanto quanto louca. Isso é, quando é interessante, claro. Ela busca incessantemente por um sentido para o que faz, ao invés de simplesmente fazer. A vida, afinal de contas, não precisa de um sentido. Até porque, ela não faz sentido.

Nós passamos muito tempo nos concentrando em tentar achar um sentido em deuses, livros, comédias, dramas, paradas, luas, poemas, e etc., ao invés de simplesmente apreciá-los pelo que realmente são. Existem aqueles que não podem lidar com o conceito de não ter um sentido, um propósito, e substituem esse vazio com uma entidade, muitas vezes levando tal crença a níveis absurdos, de causar até mesmo violência ou intolerância à outras crenças. Tudo porque eles discordam sobre qual de seus “Deuses” é o que é o verdadeiro sentido da vida.

Talvez seja apenas humano, talvez seja apenas social, talvez seja apenas pura burrice patológica e sem sentido, mas todos buscam um sentido, por mais que ele seja impossível de ser encontrado. Mas, sabe como é. É a vida.



 Música da Semana
Música: Romeo and Juliet
Banda: Dire Straits
Álbum: Making Movies
     

    OBS.: A partir de hoje, entro em férias deste blog. Elas durarão duas semanas. Até então!

    domingo, 7 de março de 2010

    Como se tornar um Blogueiro Profissional

    Desde que existiram blogs, existiram aqueles que lucram à base disso. Um tipo especial de blogueiro, que define um novo padrão de "Trabalhar na Internet". Os Blogueiros Profissionais podem ser divididos em três categorias, muito embora todos tenham algo em comum: O lucro que provém do blog.

    Os três tipos de blogueiros são: O Profissional Rentável (Também conhecido como imbecil repetidor de clichês), o Profissional Respeitável (O que atualmente escreve algo que interessa, sem ser só uma idiotice de "Dorgas" ou "Ronaldo"), e o Profissional Cult (Também conhecido como "Falido").

    As maiores diferenças entre esses três tipos diferentes de profissionais são o padrão de qualidade textual, e o grupo demográfico qual atingem. Como no mundo de hoje as massas se resumem em pessoas que gostam de ver a mesma piada ser repetida milhões de vezes, o grupo de Profissionais Rentáveis encontra seu paraíso monetário.

    E é para isso que serve este guia. Quer ser um blogueiro profissional e ganhar dinheiro com isso? Siga estes passos.

    Guia: Como se tornar um Blogueiro Profissional

    1. Crie um nome para seu blog: Blogs de hoje em dia precisam de um nome bobo ou fácil de memorizar para demonstrarem logo de início que não são nada além de um site idiota que repete piadas feitas no Pânico e que se vende por um preço razoável.
    2. Copie conteúdo: Se você quer fazer sucesso, pelo menos no início, você vai ter que copiar. Isso significa copiar as tiras de "FUUU", as montagens idiotas, as piadas de celebridades, as pegadinhas ridículas, etc. Mas lembre de dar crédito para os blogs maiores. Quanto aos menores, quem liga pra eles?
    3. Faça publicidade de seu blog: Isso significa mandar para seus amigos, fazer aquelas propagandas toscas no Orkut, procurar parceiros, tudo. Se possível, tente arranjar um parceiro de liga alta, que seja reconhecido. Com sorte, você terá vários visitantes vendo as exatas mesmas piadas idiotas e rindo categoricamente, aplaudindo seu blog pela originalidade.
    4. Sacaneie tudo: E isso é uma regra. Para isso você terá que ficar ligado nas notícias, no BBB, etc. Fulano de tal deu um chifre em alguém? Ótimo, faça uma piada tosca com isso. Alguém morreu? Use isso. Uma criança foi estuprada, morta, esquartejada e depois enterrada no mato? Faça uma piada sobre picadinho de carne.
    5. Ganhe "Respeito": Depois de algum tempo, a abominação do bom gosto que você chama de blog ganhará seguidores, respeito, parceiros, etc. Aproveite isso para alcançar o tão sonhado Google Ad Sense, e tente fechar negócios com alguns publicitários por conta própria. Em outras palavras, se venda.
    6. Entre para a Máfia: Não deve ser segredo (Aliás, é bastante óbvio) da máfia que envolve os maiores blogueiros repetidores de piadas da internet. Caso você queira arranjar uma posição de poder no mundo blogger, terá que se acertar com eles. Não se preocupe, com sorte você já terá dinheiro de proteção.
    7. Crie tirinhas: No momento que você começar a criar tirinhas, será aclamado como um gênio pelos seus fãs com uma séria falta de pontos de Q.I. Nessa categoria também se aplicam as regras do número 4 do Guia, então seja esperto.
    8. Nunca seja diferente: Se você fizer algo que for 1% diferente do que seus parceiros de blog fazem, sua carreira acabou. O mundo de blogueiros tolera tantas mudanças quanto a Igreja Católica, e a não ser que você esteja querendo uma briga com a máfia, é melhor que você só repita piadas.
    9. Aproveite e compartilhe: Se você chegou até aqui na sua carreira de blogueiro profissional, meus parabéns, você é um idiota sem neurônios que precisa ver Pânico na TV para saber o que postar em seu blog. Seu salário mensal é bom, e você faz propagandas para Mafia Wars. Mas não se preocupe, gozo de gangster não mancha. É crucial que, caso você queira permanecer neste estágio, você poste no mínimo uma vez por semana, e menospreze blogs que estão começando, no máximo disponibilizando o link no seu cemitério de links. Aproveite, meu caro, você é um blogueiro profissional.

    domingo, 22 de novembro de 2009

    O Clichê - Parte Oito

    - Estou... M-m-m-m-morto de f-f-f-f-f-frio! V-v-v-v-você tem c-c-c-certeza que é aqui?
    - Sim, Fernando, eu tenho. E pare de fingir que está morto de frio, nós só estamos no Pólo Norte!
    - Ah, tudo bem. Só queria dar uma boa impressão. Mas, me diga, para que que nós viemos no Pólo Norte, se já temos os quatro cristais?
    - Para pegar o Cristal da Vida. Se você tivesse prestado atenção na "Cutscene" que todo mundo pula, você saberia disso.
    - Tudo bem... Tudo bem... George, querido, você está bem?
    - Não! - George estava com a mão na calça. - Eu ainda não aprendi como fazer minhas necessidades como mulher... E agora minha mão está presa!
    - Ainda bem - Luana retorquiu. - Pensei que você estivesse se aliviando aqui, na frente de todo mundo.
    - Assim como você, ontem, depois que todo mundo foi dormir? - Eu respondi.
    - Cale a boca, aquilo era segredo!
    - Segredo? Você nos acordou com seus gritos!
    - Tudo bem, podemos ir para essa biblioteca de uma vez?
    - Tudo bem, mas já estamos nela.
    - O que? Onde você viu isso?
    - Pelo sinal de "Favor fazer silêncio" no qual eu estou pisando.
    - Ah, que maravilha. Toda essa jornada para nada!
    - Ei - Eu mexi no sinal. - Tem um livro embaixo deste sinal!
    - Nossa, que biblioteca pequena - George riu.
    - Ei, escutem isso: "Para encontrar o Cristal da Vida, nossos heróis que estão agora mesmo lendo este livro sentados no gelo perto de uma placa de 'Favor fazer silêncio' devem sacrificar o fantasma."
    - O que será que devemos fazer? - Eu virei a página.
    "Matem o fantasma, idiotas!"
    - Não poderia ser mais direto que isto. Bem, George, acho que chegou a hora.

    George tentou correr, mas eu o chutei. O fantasma então saiu do corpo de Hylda, que voltou a babar, e tentou me atacar, mas, antes que ele pudesse, eu enfiei minha mão em sua barriga, pegando o cristal.

    No mesmo momento em que puxei o cristal para fora de seu “corpo”, ele desapareceu, gritando “DE NOVO NÃOOOOOOoooo...”. Pus o cristal em meu peito, e, depois de mais um “Cutscene”, virei o Cara de Fogo e Luz. Gostei desse nome.

    - Bem, temos o cristal... Vamos matar o rei!

    Alguns meses depois, quando a viagem de volta do Pólo Norte acabou – Ei, ainda não existiam aviões, e a droga do Pólo Norte ainda não tinha sido descoberta! Como diabos nós chegamos lá em um ano foi uma droga de um milagre! -, e fomos enfrentar o rei.

    - Então... – O rei falou – Vieram me matar... Mas Jack, devo te avisar uma coisa.
    - Eu não quero falar com você! Você matou meu pai!
    - Não Jack... Eu sou...
    - Não! – Eu o interrompi.
    - O quê? Eu só ia falar que sou...
    - Nã! Nã! Nã! Você NÃO vai falar isso!
    - O que? Que eu sou...
    - Sim, EXATAMENTE ISSO! Desde Star Wars V, TODO FILME OU JOGO CHEIO DE CLICHÊS VÊM DIZENDO EXATAMENTE ISSO! Mas NÃO ESTE JOGO CHEIO DE CLICHÊS! NÃO ESTE CLICHÊ! Você NÃO vai dizer que é meu pai!
    - Pai? Não, não. Eu ia dizer que eu sou sua mãe.
    __________________________________________________ ___________
    Tan tan tan! Oh meu Deus! O rei é a mãe de Jack! O que será que acontecerá?


    Descubra essa e muitas outras coisas em... O CLICHÊ PARTE FINAL/2!

    *BANG*

    Desculpem-me. Outro narrador entrou aqui. Aparentemente ele era um narrador de novela. Continuemos com O Clichê.
    __________________________________________________ ____________
    - Você é minha mãe? Como isso é possível?
    - Bem, quando uma mamãe rei e um papai rei se amam muito muito mesmo...
    - Não isso! Eu quero dizer, como que você trocou de sexo? Ainda estamos na Idade Média! Eu ainda tenho que usar uma pedra e boa pontaria se quiser chamar alguém à distância! E eu ainda tenho que tomar banho com água de rio, que depois fica nojenta demais para se beber!
    - Bem... Eu sei lá. Vai ver é que nem Chronno Trigger, o personagem principal vai pro passado e futuro.
    - Mas EU sou o principal!
    - Você se acha o principal? Nossa, você é bem egocêntrico, hein filho?
    - Ah, dane-se. Sendo você minha mãe ou não, eu vou chutar o seu traseiro.
    - Tudo bem... PREPARE-SE PARA TREMER DE MEDO QUANDO EU ME TRANSFORMAR NO MAU MAIS MALÉFICO QUE VOCÊ JÁ VIU! MWAHAHAHA!
    - E ENTÃO VOCÊ SENTIRÁ TODO O PODER E A FÚRIA DO REI SEM NOME! EU VOU MATÁ-LO JACK!
    - Eh... Mãe? Dá pra mudar o tom? Isso só é assustador em filmes.
    - Ah. Me desculpem. MAS PREPA...
    - Apenas faça o que você for fazer.

    E então, o Rei Sem Nome mudou de forma. Uma esfera negra que demonstra o racismo do roteirista o envolveu, enquanto ele trocava de forma. Esperávamos o pior.

    Subitamente, um clarão de luz, e ouvimos a voz demoníaca do rei rindo. Quando olhamos, nenhum de nós conseguiu acreditar... O rei tinha se transformado...











    ... Num esquilo.

    - MWAHAHAHA! Agora vocês sentiram o PODER e a FÚRIA do Rei! – Disse ele com sua voz fina.

    Eu andei até ele, com ele se matando de rir, com sua risada maléfica que lembrava a de uma falácia, e pisei nele. E assim, o Rei estava morto. É, bem ÉPICO, NÃO? O REI MORREU SENDO PISADO! Não gostou? Reclame nos fóruns.

    - E então, - Começou Luana – O que faremos agora?
    - Bem – Eu retruquei – Você vai se apaixonar por mim, nós vamos nos casar e ter filhos.
    - O quê? Eu nem ao menos tenho escolha?
    - Hehehe... Não. O que você queria? É um clichê. – Então ela me chutou nas partes sensíveis, e saiu correndo castelo afora.

    O que aconteceu depois? Bem, nós fomos presos pela guarda real por ter assassinado o rei, Hylda e Fernando foram executados alguns dias depois. Luana se tornou co-protagonista de “Chronno Trigger”, e mudou seu nome para Marlene.

    E eu? Bem, eu fugi da prisão, fui re-capturado em minha fuga, fugi de novo, quase fui executado, matei o meu cárcere, e fugi de vez, fui para o Pólo Norte e passei o resto dos meus dias falido, vendendo Gelo no palito. Até hoje sem nenhum comprador.

    domingo, 15 de novembro de 2009

    O Clichê - Parte Sete

    Num dia cândido e alegre de verão cândido e alegre, nossos heróis cândidos e alegres passeavam pela montanha cândida e alegre. Eles sorriam aos pequenos e fofos animais que, por algum milagre cândido e alegre, não comiam uns aos outros de forma como a natureza cândida e alegre quis.

    Os heróis passeavam cantarolando "Raindrops Keep Falling on my Head", embora essa música nem tivesse sido inventada ainda. Quando, de repente, um monstro cândido e alegre surgiu do nada, carregando doces cândidos e alegres para nossos heróis, e todos viveram cândidos e alegremente felizes para sempre.
    - AAAAAAAAAAAAAAAAAAARGGGGGGGGGGGGHHHHH! - Eu acordei, morto de medo.
    - O que houve? - Perguntou Luana, assustada.
    - Tive o pior pesadelo da minha vida. Estavamos todos num mundo cândido e alegre, cheio de cores, como o mundo de Oz!
    - Meu Deus, que horror!
    - E isso não é o pior! EU ESTAVA CANTAROLANDO! CÂNDIDA E ALEGREMENTE!
    - Calma, calma, foi só um pesadelo... Você não vai sair por aí cantarolando cândida e alegremente... - Ela me abraçou, o que me deixou vermelho de vergonha.
    - Agora - Ela passou a mão em minha cabeça. Estava começando a ferver. -, vamos dormir, tudo bem?
    - Certo, certo. Desculpe-me, mas coisas cândidas e alegres me dão arrepios.
    E voltamos a dormir, com Luana no meu lado. Realmente, o que eu sentia por ela tinha passado de um desejo animalesco por procriação suja e prazerosa, para um sentimento quase ridículo de paixão. Comecei a me odiar naquele momento.

    Acordei no dia seguinte com uma dor de cabeça digna de um anão que bebeu o triplo do seu peso em Whiskey. Para me curar - Receita de família - Bati com uma panela na cabeça, de modo que eu passei a me importar mais com o ferimento que sangrava, do que com a dor de cabeça propriamente dita.

    E continuamos nossa rota em direção ao cristal de Ar. Quando chegamos ao local, vimos nada além de terra. Enquanto inspecionávamos Fernando fazia piadas de peido, achando que eram hilárias. Eu tive vontade de arrancar-lhe a língua fora.

    Por fim, ouvimos um grito de George/Hylda/Nem-sei-mais-quem-era. Quando olhamos, sua perna estava coberta de uma substância branca, que cheirava mal. Luana tocou na substância, e, cheirando-a, reconheceu como sendo cocô de pombo, só que de proporções colossais. Estranhamente, minha paixão aumentou um pouco.

    Olhando ao redor, nós enfim avistamos um pombo gigantesco sobrevoando os arredores. Ele era parcialmente transparente, e, quando Fernando atirou uma flecha nele, a flecha passou por ele sem nem ao menos incomodá-lo.
    - Bom, isso é original. Um pombo que é o guardião de ar. Só temos que nos cuidar desses cocôs e devemos ficar bem.
    No momento que disse isso, George começou a gritar novamente - Como uma mulher -, e vimos que o cocô estava começando a corroer sua perna.
    - AH MEU DEUS, O QUE EU FAÇO?
    - Calma, eu aprendi na escola o que fazer nessas situações! - Respondeu Fernando. - Pare, deite, e role!
    - Isso é para incêndios, Fernando. - Eu retruquei.
    - Era uma escola pública. Até em caso de afogamento nos ensinaram isso.
    - Ah.
    - Espera - Começou Luana - O cocô ácido está se espalhando. Temos que isolá-lo. - Antes que pudéssemos impedí-la, ela arrancou uma faca de sua calça, o que me excitou por algum estranho motivo, e arrancou a perna de George, deixando-o perneta. Tirou a excitação que eu tinha antes.
    - AHHHHHHHHHHHHHHHHH! SUA MERETRIZ! VOCÊ CORTOU MINHA PERNA!
    - Tecnicamente - Eu corrigi - É a perna da Hylda.
    - Ah, você está certo - George se acalmou completamente.
    O pombo soltou mais uma bomba - Literalmente -, dessa vez em cima de Luana. Ela não viu, e eu me joguei para salvá-la - Na esperança que ela se apaixonasse por mim.
    - Ah, obrigada. Vamos, temos que matar esse pombo.
    - Err... De nada. Matar o pombo? Eu tenho uma idéia.
    Eu peguei uma tigela, pão, e Coca-Cola. (Prazer é viver, Coca-Cola.  . Acabo de ganhar vinte reais) Pus o pão - Esmigalhado - na tigela, e derramei Coca-Cola em cima. Deixei a tigela no chão, e fomos nos esconder.

    No arbusto em que nos escondemos - Que conveniente, um arbusto no meio do deserto -, vimos o pombo cessar vôo, parar perto da tigela, e começar a bicar.

    Fernando quis atacar, mas eu o impedi, puxando-o pela gola.
    - Apenas observe... E aprenda.
    O pombo terminou a tigela, e ficou ali, parado. Mas nada aconteceu. Esperei por alguns minutos, mas nada. Por fim, fiquei sem paciência, e fomos atacar. Assim que nos avistou, o pombo levantou vôo, e, inesperadamente, explodiu em mil pedaços. O Cristal de Ar voou na face de Luana, fundindo-a com o Cristal instantaneamente.
    - Excelente plano, - Reclamou Fernando. - Estamos cobertos de tripas de pombo.
    - Desculpa, eu não sabia que o pombo tinha que tentar voar para explodir quando estava cheio de Coca-Cola...
    - Onde você conseguiu a Coca-Cola? Ela ainda não foi inventada!
    - Patrocinadores.
    - Mas...
    - Americanos.
    - Ah.
    - Isso não faz nenhum sentido. - Retrucou Luana.
    - Não tem que fazer. Isto é um RPG clichê.
    - Agora é o que, uma montagem sobre alguma coisa idiota que ninguém se importa e vai pular todos os diálogos, exceto os nerds?
    - Sim. Vamos dormir enquanto isso.
    E fomos dormir.

    domingo, 8 de novembro de 2009

    O Clichê - Parte Seis

    O grunhido foi apavorante. Parecia o de um babuíno ao ser defenestrado enquanto ululava blasfêmias desfigurantemente desconcertantes para os ouvintes desavisados. Onde estávamos? Ah, sim claro, o grunhido apavorante.

    Luana e eu saímos de sua casa - Ela estava, por algum estranhíssimo motivo, usando pantufas de couro de falácias. Para quem não sabe, falácias são animais supersticiosos. Eles só existem enquanto você acredita neles. No instante que você deixa de acreditar, eles somem, e nunca mais voltam. -, olhando ao redor cautelosamente.

    Sentimos outro tremor, desta vez mais forte. Seguimos caminho para as barragens, aonde nossos companheiros de grupo estavam acampados. Hylda/George, Fernando e Friedrich saíram, alertas ao perigo.

    Outro tremor sacudiu o solo, enquanto caminhávamos em direção à ele. Assim que cruzamos a primeira avenida, vimos um enorme... Babuíno de fogo. Os tremores de terra, na verdade, eram fezes flamejantes que ele retirava do seu ânus e atirava em casas, desmoronando-as de modo estupendamente fedido.
    - Ótimo. - Eu reclamei - Um babuíno atirador de fezes. Qual será o próximo, um pombo que caga rajadas de ar? Sinceramente, tenho minhas dúvidas que esse escritor tem fetiche por fezes.
    Eu ia começar outro argumento, mas o babuíno começou a falar conosco.
    - Eu sou o grande, terrível, fedorento, atirador de fezes, BABOON!
    - Baboon? Cara, que nome ridículo. É quase pior que Hylda. - Fernando me deu uma cotovelada.
    - Sim, eu sou o grande Baboon. Eu sou o ser mais intelectual do mundo! E, por forças da grande ironia, eu também sou um babuíno atirador de fezes. Oh, vida cruel.
    - Certo... Ei Baboon, que tal nós pularmos esta briga, você me dá o cristal, e todos vamos para casa felizes?
    - HA! Você acha que pode me deter? Eu sou o temível Baboon! Aliás, alguém aí leu o Kingdom Yorker¹? Pelos deuses, é tão óbvio que o rei vai nos trair e tentar destruir o mundo... E é tão óbvio, mas ao mesmo tempo, tão sem motivo...
    - Como uma falácia.
    - Exato! Falácias, como deuses, ou outras coisas do gênero.
    - Assim como babuínos flamejantes intelectuais chamados "Baboon".
    - Nem me fale... Digo, eu não sou contra a igreja nem nada, mas toda essa histeria de "Controlar as pessoas", dizer que se elas se rebelarem elas vão para o inferno... É tão sem-graça, sabe?
    - Jura? Nem sabia. Espere, você não acredita em deuses?
    - Quem? EU? Não! Sou ateu, e com orgulho! - Nesse exato momento, todos nós sentimos nojo².
    - BLERGH! Um ateu!
    - Preconceito o seu hein? Talvez você devesse lembrar que a sua igreja prega que amar o próximo é divino.
    - Sim, mas um ateu... Enfim. Baboon, você sabe que nós somos os heróis da estória, correto?
    - Sim, eu sei. Vocês são os heróis clichê, desta história clichê, deste autor clichê.
    - Exato. Logo, você sabe que nós venceremos de qualquer forma, certo?
    - Sim, vocês descobrirão minha única fraqueza, desinfetante e água benta, e a usarão contra mim.
    - Correto. E, logo, essa luta épica, não têm de acontecer. Pois o final será o mesmo, não concorda? - Ele se confundiu.
    - Acho que sim...
    - Então porque você não deita no chão, finge de morto, e nos dá o cristal?
    - Mas...
    - Vamos, você sabe tão bem quanto eu que lutar é inútil. Nós vamos ganhar de qualquer forma.
    - ... - Ele refletiu por um momento - ARGH, tudo bem. Você tem razão. Aqui - Ele me entregou o cristal. - Leve o cristal.
    - Obrigado. Mas, você tem que deitar no chão.
    - O quê? Por que?
    - Pois, para dar uma verossimilhança à estória, você tem que fingir que está morto, para demonstrar nossa "Epicidade".
    - Argh, você está certo... Vou ler Dawkins enquanto espero decompor. Ah, me façam um favor?
    - Claro.
    - Pensem enquanto estiverem na igreja.
    - Claro, claro.
    Subitamente, o babuíno caiu na lava, que, por sorte, não caiu em nenhum de nós. Exceto Friedrich. E uma falácia. E ele teria feito um discurso comovente, e nos feito chorar, se a lava não tivesse o instantaneamente matado.

    E fomos para casa, vitoriosos. Luana e eu começamos a nos conhecer - Ela é uma caçadora de falácias por profissão, então não acreditar seria fatal para ela -, enquanto George e Fernando continuavam com seu romance talvez homossexual, talvez não, estranho demais para discutirmos.
    - AH! - O rei ficou divertidamente encantado - Vocês me trouxeram o cristal de Fogo! Me dêem!
    De repente eu percebi a - Já evidente. Como uma falácia - traição do rei. E, pensando rápido, respondi:
    - Não.
    - Como assim, não?
    - Pois é óbvio que você vai tentar nos matar no final, então não.
    - Me dê esse cristal agora mesmo, Jack!
    - Não! - E, dito isso, pus o cristal no meu peito, absorvendo-o. No mesmo instante, senti uma dor escaldante me corroendo. Legal, eu morri.
    Porém, no mesmo instante que eu morri, eu voltei à vida, e sentia agora como se fosse feito de fogo. De fato, era mesmo.
    - Guardas! Matem-nos!
    - Rápido! Fujam!
    E corremos, pela primeira vez indo contra o rei.

    domingo, 1 de novembro de 2009

    O Clichê - Parte Cinco

    A montanha era complicada de se escalar. Tinha rochas soltas, babuínos atiradores de fezes, e discos de ouro do MC Hammer. Não sei o porque desse último.

    Escalamos a montanha, com George tendo dificuldade nenhuma -Afinal, ele flutuava. -, Hylda babando e gemendo, e Fernando e eu suando feito porcos. Carregar Hylda não era fácil.

    Por fim chegamos no topo da montanha, aonde tinha uma porta entrando para o subterrâneo. Seguimos pelo escuro, batendo a cabeça nas paredes, no teto, tropeçando, Hylda quase caiu em um buraco sem fundo.

    Por fim, depois de muitos incidentes e Fernando evaporando umas três vezes, chegamos em um lugar que finalmente me agradou. Uma cidade construída em cima de lava, dentro da montanha.

    Toda a cidade não precisava do Sol, pois os rios de lava proviam luz suficiente. Só me perguntei como que eles conseguiam água naquele calor infernal.
    - Olá meus amigos!
    Nós olhamos ao redor, assustados. Por fim, olhamos para baixo e vimos um Anão, da metade da minha altura, olhando para nós.
    - Olá! Err... Anão.
    - O nome é Friedrich.
    - Olá Friedrich. Eu sou Jack, este é Fernando, Hylda - Ela continuava a babar -, e o fantasma é George.
    - Argh, fantasmas - Ele cuspiu no chão - Anões odeiam fantasmas... Tome cuidado com os Caça-Fantasmas.
    - Err... Ok, o George tomará cuidado.
    - Ei, colegas, qual a situação da garota?
    - Eh... Ela está em estado incapaz de pensar por si mesma... E, você tem certeza que você é capaz de...
    - O quê, você duvida? Meu caro, Anões não são proporcionais. Eles tem três pernas!
    - ... Ok, obrigado pelos pesadelos.
    - Existe um ditado: Uma vez que você for com o baixinho, você vai precisar de um banquinho.
    - Novamente, obrigado pelos terríveis pesadelos... Existe algum bar por aqui? Estamos mortos de sede.
    - Ah, sim, claro. Sigam-me.
    Seguimos o Anão até uma casa feita de tijolos de magma. Entramos. Dentro dela, tinham mesas com anões, e numa delas, uma mulher. A mulher tinha cabelos negros, olhos verdes. Ela me olhava de forma característica, que me lembrava alguém flertando.

    Enquanto o Anão falava com os outros, eu fui sentar com a mulher. Ela bebia um copo de vinho tinto.
    - Então, o que você está fazendo numa cidade anã?
    - Fui abandonada aqui.
    - Oh... Érr... - O garçom chegou, para a minha sorte. - Eu quero uma cerveja.
    - Eu não beberia a ceveja daqui, se eu fosse você.
    O garçom trouxe a bebida. Eu tomei um gole.
    - Putz! Isso é delicioso! Qual a receita disto?
    - Xixi de Anão.
    Eu cuspi. A mulher deu um riso.
    - Não te disse?
    - Tudo bem, tudo bem. Você tinha razão. Meu nome é Jack, aliás.
    - Luana. E você ficar flertando comigo com bafo de xixi de anão não é exatamente atraente.
    - Ah, sim. Claro. Na verdade, só estou aqui a serviço do rei. Temos que pegar o cristal de fogo que aqui reside.
    Luana se animou.
    - Ei! Será que eu posso ir com você?
    - Err...
    - E eu também? - Perguntou Friedrich.
    - Tá, podem. Mas amanhã nós partiremos... Hoje eu preciso lavar a boca.
    - Sem problema - Começou Friedrich. - Me siga.
    - Ei! - George olhou para si mesmo. - Eu sequei! De volta para o corpo da garota...
    Ele rapidamente voltou para o corpo de Hylda. Fernando olhou para Hylda/George, e soltando um grunhido, disse:
    - Ah, dane-se. Ele ainda é muito bonita.
    - Meus parabéns! - Eu ri. - Mas, vamos dormir... Amanhã iremos procurar o cristal de fogo.
    E fomos dormir. Eu passei a noite na casa de Luana, tentando minha sorte - Sem tanta sorte -, e, quando finalmente peguei no sono, a terra começou a tremer. Junto com isso, um rugido foi ouvido. A Luana ficou com medo. Nunca aquele barulho fora ouvido antes.

    quinta-feira, 22 de outubro de 2009

    Macho Alfa

    Nos primórdios da humanidade, a seleção natural se estabelecia como o deus supremo da sobrevivência, enquanto os mortais disputavam suas vidas naquele terreno novo, sem nem uma gota d'água. O que todos disputavam? Comida e água.

    Mas eles também disputavam entre si. A disputa entre si, para justificar a seleção natural. Lutavam para ver quem conseguia o maior número de transas. Naquela época, primatas subdesenvolvidos tinham esse direito. Afinal, de que outra forma iriam definir os mais fortes?

    Na Idade Média, viu-se que isso era muito primitivo e mandaram isso pra merda. Daquela hora em diante, pobre ia casar com pobre, rico com rico, padre ia ficar transando nas horas vagas, e foda-se a seleção natural (Até porque, para eles evolução é coisa do diabo).

    Então, veio o renascentismo, e, novamente, os velhos valores foram chutados. Agora, era vendendo. Quem tivesse mais esposas era quem tinha mais dinheiro. Substituiram a força pela grana, o que, para aquelas formas de vida baseadas em carbono com cérebros que ainda achavam que guerra era uma boa idéia, era um avanço.

    Então, anos depois, chegou a era Hippie. Aí mudou tudo. Era quem quisesse com quem quisesse, e o filho era de quem não queria. Todos eram felizes, talvez culpa de toda a erva que fumavam. Quem sabe também fosse pelo fato dos Beatles ainda estarem juntos na época.

    Mas, depois da era Hippie, vieram os tempos atuais. Aí, dinheiro era sinônimo de pegar mulher. E não era incomum achar homens desafiando uns aos outros com a típica frase: "Tu pega mais mulher que eu?", geralmente com algum "porra" enfiado no meio. Aonde não deveria ser.

    Uma das coisas que eu, como escritor, não gosto de fazer, é tentar ter uma argumentação racional com algum homem. Isso por dois fatos: 1º, Eles geralmente não sabem argumentar, e 2º, sempre acham que estão com a razão quando falam "Tu pega mais mulher que eu?"

    Em algum ponto de nossas vidas enfadonhas e inúteis, somos obrigados a ouvir essa frase tão ridiculamente montada que nos faz pensar: "Que tipo de mulher burra esse cara anda pegando?". Mas, como se fosse uma maldição, essa frase perdura.

    É difícil eu passar um dia sem ser insultado. Como já sou acostumado a tal fato, sempre tento rir um pouco da situação. Com mulheres, acabo saindo ganhando. Com homens, acabo ouvindo a enfadonha "Tu pega mais mulher que eu?".

    Desde quando "Pegar mulher" é símbolo de masculinidade? Por que será que o homem é tão inseguro quanto a própria masculinidade que, para se auto-afirmar, repete como um dogma essa frase? É algo tão ridículo...

    Nosso instinto nos faz querer ser o Macho Alfa. Ser o chefe do grupo, e transar com mais mulheres. Como dinheiro é algo que não se discute pelos padrões sociais aceitáveis, o homem achou uma única saída para sua necessidade fisiológica para se tornar o Macho Alfa: "Pegar mulher".

    Agora, também existe o machismo envolvido na jogada. Só pela simples frase "Pegar mulher" já demonstra isso. Objetizando mulheres, como diriam. Sinceramente, a frase "Tu pega mais mulher que eu" é uma das mais machistas e egoístas que um homem pode dizer.

    Se você, como homem, ficou ofendido com este texto, e vai me mandar um comentário como "Vem cá, tu pega mais mulher que eu?", por favor, não esforcem seus cérebros para digitar sôfregas oito palavras. Vão para algum lugar, fazer algo de inútil. Até porque, se você acha mesmo que "Pegar mulher" é símbolo de status, você não merece minha mínima consideração.

    Biancardine, OUT!

    domingo, 18 de outubro de 2009

    O Clichê (Parte Quatro)

    - Yarrr! Eu sou o pirata mais temido dos mil cento e dezessete mares! Os homens me temem, as mulheres - Ele piscou para George - me amam, e os peixes me odeiam! O que vocês querem em meu navio?


    - Primeiro, estamos no porto. - Eu comecei. - Logo, não estamos no seu navio. Segundo, são SETE mares.

    - Sim, eu sei! Mas eu conto as vezes que passo por eles! Logo, são mil cento e dezessete!

    - Err... Tudo bem. Terceiro, Hylda aqui está namorando Fernando. - Fernando se assustou. - E quarto, vocês são piratas? MESMO?

    - Sim, claro! Os mais malvados, os mais rebeldes, os mais burros!

    Fernando e eu nos entreolhamos.

    - Ok. Se vocês são piratas, e são contra a lei, o que raios estão fazendo num porto que é CONTROLADO pela lei? E por que raios os guardas não prendem vocês?

    - Pois... Err... Sei lá, reclame com o autor.

    - Tá, dane-se. Vocês podem nos levar a este lugar? - Mostrei o mapa do Cristal d'Água para ele.

    - Sim, claro. Por duzentas peças de ouro.

    - Te ofereço cinco.

    - Feito.



    Embarcamos, depois de pagarmos o pirata. O navio tinha um cheiro singular de escorbuto, peixe estragado, e suor masculino acumulado por doze meses. Não duvidaria muito se lavassem o convés com suor.

    - Então, - Começou George - O que vocês fazem para se divertirem aqui?

    O capitão olhou para George da cabeça aos pés, e, mostrando seus dentes amarelos, podres, e com um péssimo odor de salmão, disse:

    - Sexo.

    - E quando não têm mulheres a bordo? - Ele riu.

    - Sexo.

    - Ah. Não devia ter perguntado.

    - Não devia mesmo. Aliás, Jack, você que tem os braços fortes...

    - Não, obrigado.

    - Eu só ia perguntar se você podia puxar aquela corda.

    - Ah. Sim, claro.

    O capitão virou-se para Fernando.

    - Ei, você acha que essa calça faz minha bunda ficar gorda?

    - Ei, capitão - Eu repliquei - Que tal você nos levar logo para o local no mapa?

    - Ah, sim, claro. Homens! Puxar velas, soltar as amarras, vamos zarpar!



    Algumas horas - E muitas cantadas do capitão - depois, chegamos ao nosso destino. Mesmo que no mapa estivessemos no lugar correto - Ainda abençôo a pessoa que criou o mapa com a sua posição e a posição do cristal -, nada se via além de água.

    - Cá estamos... Mas... Só tem água. Nada de templo. - George falou.

    - Duh. É um Cristal de ÁGUA. Deve estar no fundo do mar.

    - Quem então vai ser capaz de pegá-lo? Todos respiramos. - Fernando falou.

    - Hmm... Eu tive uma idéia. - Dito isso, chutei George, que saiu do corpo de Hylda.

    - GAH! Filho da...

    - Calado. Vai lá no fundo pegar o cristal. Queria ser útil? Agora seja útil.

    Ele rosnou levemente, e mergulhou, desaparecendo de vista. Estranhamente, Hylda não havia recobrado sua consciência. Fernando parecia traumatizado.

    - Então... Há quanto tempo... Aquele homem...

    - Antes mesmo de te conhecer.

    - Então eu...

    - Sim.

    Hylda soltou um leve som, mas depois disso se calou.



    Subtamente, do mar, saiu George, com o Cristal de água.Ele estava azul, ao invés de transparente, e pingava água como uma peneira.

    - Argh! Odeio água... Sempre entra em mim, e fico dias pingando. E, enquanto tenho água em mim, não posso possuir ninguém.

    - Droga. - Eu reclamei.

    - Droga? Isso é ruim?

    - Sim. A Hylda é um saco. E vai nos trair no final.

    - Não se preocupe, olhe para ela. Ele está em estado de escravidão da alma.

    - Como?

    - Ela ficou tanto tempo possuída, que sua alma foi completamente suplantada, e agora ela não pensa, apenas obedece ordens.

    - Ah. Deixe-me tentar. Hylda, é o Jack. De agora em diante, você não vai nos trair com o rei, entendeu?

    Ela fez que sim com a cabeça.

    - Ei - Fernando sussurou para mim - É errado que eu tenha ficado excitado com isso?

    Eu olhei para ele com nojo.

    - Sim! Seu pevertido!

    Fernando e George se entreolharam.

    - Ok - Eu os interrompi. - Discutam isso depois. Vamos logo para o maldito rei.

    Eu ia pegar o Cristal, quando vi que Fernando tinha pego o cristal.

    - Fernando, me dê o cristal.

    - Por quê? Eu vou ficar com ele.

    Antes que eu pudesse impedí-lo, ele o colocou no corpo, absorvendo-o, e dissolvendo-se em água.

    - Idiota.

    Logo ele voltou a ser ele mesmo, pingando água.

    - Ok, se você não tirar logo esse cristal, eu vou mijar em você.

    - O quê? Não! Não, pera! Argh! Eu não consigo!

    - Idiota. Vamos, pelo menos o rei não vai pegar o cristal.



    Alguns dias, e uma floresta cheia de zumbis depois, estávamos diante do rei. Que, por sinal, estava irritado.

    - Poxa! Eu FALEI que vocês tinham que pegar o Cristal de Água, SEM ABSORVÊ-LO! Mas... Dane-se. Vão pegar o Cristal de Fogo.

    - Sim senhor. Até o retorno.



    E fomos pegar o Cristal de Fogo. To começando a ficar de saco cheio do rei.
    _____________________________________________________________

    PS: Desculpem o atraso. É que, devido ao horário de verão, o Blogger acabou criando problemas com a opção de postar programado.

    domingo, 11 de outubro de 2009

    O Clichê (Parte Três)

    - Pelos deuses, George, você está fedendo a estrume!

    - Olha, a culpa não é minha. É desta droga de cristal de terra, que transforma meu corpo em estrume. Eu sou um homem num corpo de uma mulher gostosa que tem cheiro de estrume!

    - Tá, então pelo menos troque a terra do seu corpo por terra molhada, o cheiro é melhor.

    Dito isso, George (Ou Hylda) desmanchou seu corpo completamente, e voltou a si, só que, sem cheiro de estrume.

    - Bem melhor. Agora, qual a cidade que temos que ir para pegar o Cristal de Água?

    - A Segunda Cidade.

    - Por que ela se chama Segunda Cidade?

    - Pois é a segunda cidade que veremos nesse jogo.

    - Ah. Faltou imaginação ao criador, imagino eu.

    - Pois é. Diz aqui no Detonado que essa cidade é coberta por florestas infestadas por monstros, mas que no seu lado oeste, tem um lindo porto.

    - Ah. Deve ser bem isolada então.

    - Não, diz aqui que ela tem prosperidade econômica.

    - O quê? Como, se ela reside no meio de uma floresta infestada por monstros?

    - Bom, iam construir uma estrada ligando o reino à ela.

    - Ah, é? O que aconteceu?

    - Trabalho do Governo, sabe como é, prometem e não cumprem.

    - Ah. Bem, vamos.



    E seguimos caminho para a floresta. A floresta, que nem George mencionou, era infestada por monstros. O que ele não mencionou, é que eram monstros humanóides zumbis que eram mais pervertidos que ele.



    Depois de muitas lutas, alguns subornos, e um infeliz incidente envolvendo o corpo de Hylda e um cachorro zumbi, chegamos ao fim da floresta, e, por consegüinte, na Segunda Cidade.

    - Sabe, você bem que poderia ter dito que eram humanóides zumbis tarados!

    - Ei, tá reclamando do quê? Não foi você quem não vai mais poder casar de branco por causa de um cachorro zumbi.

    - Sinceramente, você já não podia antes.

    - Muito menos você.

    - Por que eu casaria de branco?

    - Ah, é. São só as mulheres. Depois de 5, 6 séculos, você acaba esquecendo as tradições humanas.

    - Percebi. Bem, cá estamos. Segunda Cidade. Vamos entrar. A não ser, é claro, que o idiota do criador deste jogo decida que vamos conhecer o terceiro personagem aqui.

    Subtamente, saiu de dentro da cidade murada, um homem de 17 anos, aproximadamente. Tinha longos cabelos negros, sombrancelhas rígidas, tinha músculos que fariam Hércules ter vergonha de si. O ressemblante de George pareceu mudar com a aparição daquele garoto.

    - Hey! - Eu gritei, quando ele trombou comigo. - Acalme-se! O que que houve?

    - Estão atrás de mim!



    Nesse mesmo instante, 42 soldados saíram de trás da cidade murada, todos com espadas desembainhadas. Exceto um deles, que tinha, no lugar da espada, um frango de borracha.



    Estranhamente, o soldado com o frango de borracha era o mais intimidador de todos, e carregava no cinto cabeças de galinhas. Comecei a imaginar que talvez ele não estivesse carregando uma galinha de borracha.

    - Esperem! - Eu gritei para os 41 soldados carregando espadas, e o soldado que carregava uma galinha morta, e que, coincidentemente, tinha 42 cabeças de galinha no seu cinto. - O que este pobre homem, fez a vocês, para perseguirem-no tão vigorosamente?

    - Ele falou "A Igreja explora o homem!"

    - Ah. E quanto é a fiança?

    - Mil peças de ouro.

    - Eu sou um enviado do rei. Eu mesmo o levarei para a prisão!

    - Tudo bem - o soldado embainhou a espada.

    - Ei, - Eu perguntei ao homem que carregava uma galinha. - por quê você carrega uma galinha ao invés de uma espada?

    - Hein? Ah, eu não sou soldado. Eu sou o cozinheiro.

    - Ah... Tudo bem. Mas, que tal então vocês voltarem para seus lugares? Esse cara fica comigo. - Apontei para o garoto.

    - Tudo bem. HOMENS, RETIRADA!

    Os homens voltaram à cidade. Eu virei para o homem e disse:

    - Eu te salvei da morte, agora, você vai me ajudar na minha jornada.

    - De pegar os quatro cristais? Claro.

    - Excelen...

    - Olá - Começou George -, eu sou Hylda.

    Olhei curioso para George. Ele fez um sinal de "Calado" com os dedos.

    - Sabe, você é muito atraente para sua idade...

    - Ah - Ele pareceu lisonjeado. Coitado dele. - Obrigado. Será que eu poderia err... Levar você... Vocês! Até minha humilde casa?

    Fizemos que sim, e ele começou a mostrar o caminho.

    - Hey, George! - Eu sussurei - Que diabos você está fazendo?

    - Desculpe, eu não consegui me controlar... Ele é tão... Viríl.

    - Mas você é homem!

    - No corpo de uma mulher!

    - Ah, - Começou o garoto - meu nome é Fernando, aliás.

    - E eu sou Jack.



    E chegamos na casa de Fernando, onde George me fez pensar se realmente era um fantasma macho. No dia seguinte, iriamos para o porto. Teriamos ido naquela noite, mas George/Hylda me implorou para que fossemos no dia seguinte.

    segunda-feira, 5 de outubro de 2009

    O Clichê (Parte Dois)

    O grito dela foi ridículo. Ela gritou feito um boi que foi atropelado por uma carroça, que no momento estava na adolescência, e, por isso, na troca de voz, enquanto, dentro da carroça, tinha um marido acovardado e sua mulher extremamente obesa com cabelos do suvaco que iam até os pés, e suava feito um porco.




    Err... Desculpem-me, divaguei. Enfim. No momento em que o fantasma atacou Hylda - Ainda detesto esse nome -, ele desapareceu, enquanto Hylda caía no chão, inconsciente.



    Aparei-a antes que caísse no chão, e vi, enquanto recuperava sua consciência, que seus olhos foram de um azul claro para um belo verde. No início não entendi o que isso significava, mas assim que ela começou a falar, eu entendi.

    - Droga. Possuí outra pessoa de novo...

    Eu a soltei, deixando-a cair no chão.

    - Gah! Saia dela, seu pervertido!

    O fantasma olhou para si mesmo (Ou para o corpo de Hylda a quem olhava), e levantou, sorridente.

    - George.

    - Hein?

    - George, meu nome é. George. Sempre que eu possuo alguém, eu recobro algumas lembranças... E interessantemente, um pouco da minha sanidade. Só um pouco.

    - Bom para você, George, mas dá para sair dela? Sério, eu preciso dela para esta história clichê ter rumo.

    - Err... Sinto muito, mas não.

    - E por quê não?

    - Porque... - Ele olhou para si mesmo - Eu estou gostosa!

    Eu pisquei duas vezes. Não consegui nem acreditar.

    - Mas... O quê? Você está gostosa? Você é um homem no corpo de uma mulher! Sinceramente, isso é estranho demais... Ou pelo menos até o século XXI, mas ainda assim será um tabu social.

    - Ok, que tal isso então: Eu te ajudo a pegar os quatro cristais.

    - Tudo bem... Você não pode ser pior que a Hylda. Ok, vamos.



    E seguimos caminho. Liberamos a alavanca, abrindo a porta para o subsolo. Nele, nada encontramos além de terra, e, por algum motivo, um cachorro ainda vivo.

    - Err... - Começou George... Ou Hylda. Não faço idéia. - Onde está o chefe de fase que carrega o cristal?

    - Este é o cristal da terra. Logo, o chefe virá do solo, numa tentativa desesperada e falha de demonstrar como o criador desta desgraça é "Criativo e bacana".

    - Pff... Duvido. O criador não seria tão idiota.



    Nesse mesmo instante, começou a crescer do solo uma criatura gigantesca, marrom e fedorenta. Tinha cheiro de estrume.

    - Não disse? - Eu falei, ironicamente.

    - BAAAAAAAAAAHHHHHHHRRRRRRRRRRRRRRRRRGGGGGGGGG! - O monstro começou a grunhir.

    - Mim ser Terra, mim ter cristal de Terra.

    - Isso ser óbvio, Terra. - Eu respondi. - Por que não nos dá logo o cristal, e nos poupa o tempo de te matar?

    - Mim não poder. Mim ser pago para matar aqueles que tentam pegar cristal! Mim odeia trabalho.

    - Se você odeia seu trabalho, por quê não pede demissão?

    - Você louco? Minha mulher é patricinha. Assim que mim se demitir, ela me chuta a bunda. E mim ainda ter três pedrinhas para alimentar. Mim precisar de promoção, e urgente. Mas rei não querer promover, não quer Terra em seus salões.

    - Ok... Então sinto muito, mas eu vou ter que te matar.

    - Tudo bem. Terra estar deprimido. Aqui embaixo é muito chato.

    - Então... Ok.



    Nesse momento, Terra tentou nos esmagar com uma de suas patas - Ah, caso eu tenha me esquecido de descrevê-lo, ele tinha absorvido o cachorro, e tomado sua forma. Tenho pena do cachorro, está envolvido por estrume. -, mas rapidamente desviamos.

    - Ok, agora eu estou irritado.



    Eu saquei minha espada, e comecei a subir o cachorro de estrume fedorento. Entrei por suas costelas, e, no seu coração coberto de estrume, achei o cachorro latindo feito um louco, e o cristal de terra.



    Rapidamente peguei o cristal de terra, mas senti um tremor que sacudiu ambos a mim, e o cachorro. O cachorro acabou evacuando na minha espada. Saímos das entranhas daquele bicho de estrume, e atrás de nós, o bicho desmanchou, e, em seu leito de morte, gritou:

    - Diga para minha mulher... Que ela vai precisar trabalhar!

    - Só se você falar isso para o rei! - Respondi.



    Olhei ao redor, procurando por George... Ou Hylda... Ou sei lá. O vi no chão, morto. Seus olhos continuavam verdes. Tinha estrume por todo o corpo, e suas roupas estavam ligeiramente rasgadas.

    - Huh... Isso explica o tremor no corpo daquele bicho de estrume... Eu vou precisar dela... Ou dele. Isso é confuso demais.



    Então tive uma idéia. Peguei minha espada com estrume, e fiz uma incisão na área do coração. Arranquei-o fora, e pus o cristal de terra no lugar. Não foi uma cena bonita. Sinceramente, ainda tenho pesadelos sobre isso.



    No mesmo instante, Hylda - Ou George - acordou, assutada(o).

    - O que aconteceu? Nós matamos o monstro de terra gigante e fedorento?

    - Err... Claro, George. Só que... Você morreu no processo... De novo. E eu tive que te reviver com o cristal de terra. Agora vamos, temos que ir falar com o rei.

    - Espera, o rei? Ele não é um traidor?

    - Sim, é. Na verdade ele é o vilão final do jogo, mas para a história continuar, temos que fingir que não sabemos.

    - Ah. Ok.

    - Isso me lembra: No castelo, finja que seu nome é Hylda. Para não levantar suspeitas.

    - Tudo bem.

    - Vamos, temos que ir logo... Esse cheiro de estrume está me matando.

    Comecei a andar, deixando a espada do lado dela(dele).

    - Ei, Jack, você deixou sua espada.

    - Fique com ela.



    Depois, no castelo do rei, nos apresentamos, e o rei pareceu confuso conosco.

    - Ora... Onde está o cristal?

    - Bem, meu rei... Depois de matarmos a fera fedorenta, eu descobri que Hylda tinha morrido. Foi uma morte meio esquisita, coberta de estrume, mas eu consegui salvá-la, ao colocar o cristal de terra no lugar do coração dela.

    - Ah. Tudo bem. Já que Hylda é minha aliada, está tudo bem. Eu só queria ter certeza que os cristais ficariam fora do meu caminho, já que eles são a única coisa que podem impedir meus maléficos planos...

    - Hein? - Eu perguntei.

    - Err... Eu quis dizer: Que bom! Você está viva!

    - Muito bem... Vamos procurar os outros cristais agora, tudo bem?

    - Tudo bem.



    E fomos embora, procurar os outros cristais para dar continuidade a esta estória sem sentido.
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    Post Original.

    domingo, 27 de setembro de 2009

    O Clichê (Parte Um)

    Começou assim: Vim de lugar nenhum. Comia o que conseguia achar. Como em todo RPG que se preze só tem Slimes na floresta, ou eu comia gelatina verde tóxica, ou eu comia minhas próprias fezes. Estranhamente, não existem animais na floresta.




    Enfim. Me acharam, e eu fui ao castelo. Quanta originalidade, o rei construir um castelo, e deixar os pobres morrendo de fome. E ainda se diz um rei bondoso. Continuando...



    O rei parecia preocupado. Tinha uma veia pulsante no pescoço, que parecia que ia explodir a qualquer momento. Ele olhou em minha direção, extremamente preocupado.

    - Ah, aí está você, Jack - Ele começou.

    - Sim, cá estou.

    - Jack, eu tenho uma tarefa importantíssima para você.

    - Deixe-me adivinhar: São quatro cristais, cada um representando um elemento. Todos estão interligados e devem ser salvos, e depois de serem salvos, vai aparecer um bicho estupendamente forte das trevas para nos matar, e um aliado meu vai ser um traidor que vai se arrepender e me ajudar a matá-lo? - O rei parecia surpreso.

    - Sim, é exatamente isso. Como você sabia?

    - É previsível. Posso ver meu aliado agora?

    - Sim, claro. - Ele acenou a mão para um guarda.



    Veio uma mulher, alta, loira. Extremamente bela. No momento que a vi percebi o clichê em que tinha me metido.

    - Olá. Sou Jack. Seu nome é?

    - Hylda. - Que nome feio.

    - Prazer, Hylda - Nesse momento, um calafrio subiu minha espinha. Nome feio demais. - Então, podemos pular toda a conversa supérflua e ir logo no primeiro cristal?

    - Ah... - Ela pareceu desconcertada. - Sim, claro.

    - Excelente.



    Acenei um "Tchau" para o rei, e segui caminho. Perguntei a Hylda - AAAAAAAARRRRRGH! - onde era o primeiro cristal. Informações passadas, seguimos para a casa abandonada.



    Dentro da casa, tinha um barulho parecido com um mugido, só que... Mais assustador. Fomos para o segundo andar, onde fomos parados por um fantasma. Soubemos que era um fantasma pois ele era transparente, flutuava, gemia e tinha belos olhos verdes.

    - Olá! - Ele sorriu. - Eu sou...

    Hylda e eu nos entreolhamos.

    - Err... Droga. Esqueci meu nome. Enfim. Quem são vocês?

    - Eu sou Jack, e esta é Hylda.

    - Que nome terrível. Sinto muito, mas é verdade.

    Ela foi revidar, mas eu a impedi, concordando com o fantasma.

    - O que traz vocês aqui?

    - Bom, fantasma, nós procuramos o cristal de Terra, que reside no subsolo desta casa, que por algum motivo ridículo só pode ser liberado do segundo andar.

    - Ah. Claro.

    Íamos passar, mas aí Hylda fez a coisa mais idiota possível. Ela abriu o bico.

    - Então, como é ser um fantasma?

    Eu dei um tapa na minha própria cabeça, e vi o fantasma se entusiasmando.

    - Ah, é ótimo! Você é imortal, pode fazer o que quiser, sem ninguém te ver... Para falar a verdade, durante os primeiros cinco anos eu costumava ver mulheres se lavando, até que eu descobri que não podia interagir com elas, e assim que eu tocava nelas eu as possuía. E por mais divertido que pareça, exorcismos são um saco.

    - Ah, então você é um fantasma pervertido? - Eu perguntei, irônico.

    - Não... Na verdade, vocês gostariam de ser fantasmas... Até vocês completarem um século de inexistência, pois aí vocês ficam loucos, já que seus familiares, seus amigos, e seu cachorro chamado Buck, que, por algum motivo, eu lembro o nome, mas não o meu próprio, morreram, e você está fadado a viver morto para sempre, solitário. Na verdade, quando você completa um século de existência, você começa a matar pessoas a esmo e transformá-las em seus escravos fantasmas.

    - Huh. E quantos anos de inexistência você tem?

    - Uns 5... 6...

    - Ufa.

    - Séculos...

    - Droga.

    - Então, posso matar vocês e transformá-los em escravos fantasmas?

    - Err... Não.

    - Ora, vamos, vai ser divertido... Ou pelo menos até vocês completarem um século e ficarem completamente insanos feito eu e...

    - OK! Já entendemos! Pare de se repetir.

    - Tá. Então, vocês querem ser meus escravos fantasmas?

    - Não!

    - Tudo bem... Vou ter que mostrá-los como pode ser divertido.



    O fantasma avançou contra nós, ameaçadoramente. Hylda começou a gritar, e eu ouvi no fundo o som de um cachorro latindo. Pensei no que fazer, enquanto o fantasma atacou Hylda, jogando-a no chão.
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    Post original: O Clichê (Parte Um)

    sábado, 5 de setembro de 2009

    Musicstar?

    Se você for um desocupado, como eu, você provavelmente já viu o novo comercial da Axe Musicstar, que é bem ridículo. Sinceramente, desde que eu vi esse comercial, eu venho tendo vontade de sentir o cheiro do desodorante.

    Pois, se você pensar bem, eis a mensagem que o comercial passa: "Se você usar nosso desodorante, você vai cheirar que nem um astro da música, e fãs do sexo feminino irão querer transar com você." Obviamente, isso tem dois erros instantâneos:
    1. Fãs geralmente transam com astros de música por estes serem famosos, e ricos... E o porquê de eu apontar coisa tão óbvia, não faço idéia.
    2. Será mesmo que você quer cheirar feito um astro da música? Você quer mesmo cheirar a vodka, cocaína e suor? Eu prefiro meu cheiro mesmo, obrigado... Até porque, gosto de ir em aeroportos sem cães farejadores atacarem minhas axilas.
    Em outros assuntos, Paulo Coelho terá um de seus livros transformado em filme, o Veronika Decide Morrer. Com certeza, será um sucesso de bilheteria, pois, por alguma ironia escrota (É, eu falei "escrota"!) do destino, um escritor regular foi aclamado em todo o mundo... Interessantemente, o mesmo caso se repete com Stephenie Meyer, e sua saga ridícula chamada "Crepúsculo". Talvez seja apenas a sina da humanidade, vá saber.

    Em uma rota meio nostálgica que começo a tomar agora, eu ainda me lembro saudosamente quando "Terror" era "O Iluminado", de Stephen King, ou "O Corvo", ou "Drácula", de Bram Stoker... Não esta palhaçada em formato de romance infanto-juvenil (Que em 2012 será corrigido como infantojuvenil) que só é intitulado "Terror" por conter vampiros. Ou ainda quando filmes como "Jogos Mortais" eram apenas carnificinas imbecis, não "Filmes próximos a serem Cults". Se você quer ver um filme Cult de verdade, veja Queime Depois de Ler. Esse sim.

    Terminando o post... E recomeçando a minha longa jornada neste blog (Sim, eu tirei umas semanas do blog... Não foi bem tirar, como não conseguir inspiração para escrever)!

    Biancardine, OUT!

    sábado, 11 de julho de 2009

    Consolos, cruzes quebradas, divórcios e coisas do gênero

    Pais, imaginem a seguinte cena. Vocês voltam do trabalho, cansados. E vocês querem um pouco de relaxamento, querem ver um pouco de TV, enquanto sua mulher os leva jantar e suas crianças tomam banho.

    Mas tudo isso pode estar acabando. Com um novo movimento de esquerda, a sua paz pode estar chegando ao fim. O seu filho mais velho pode estar quebrando cruzes, e xingando Deus. Sua filha pode estar namorando e tendo relações sexuais fora do casamento, e seu filho mais novo pode estar se vestindo de mulher, e cantando "I Will Survive", de Gloria Gaynor, no banheiro.

    Será que sua casa tem ateus, mulheres liberais, e homossexuais? Será que o Diabo resolveu visitar sua casa e destruir a sua felicidade? Será que o seu jardineiro ficaria bem em shorts apertados? Será que sua esposa sabe que o jardineiro fica bem em shorts apertados?

    Não se preocupe, caro pai de família, pois nós temos a solução para você!

    Apresentando, o Acampamento Moral! Nós transformaremos seu filho gay blasfemo e liberal num verdadeiro homem ideal: homofóbico, temente à Deus e misógino! Deixe de se preocupar se seus filhos estão tomados pelo Diabo, nós faremos com que eles se tornem verdadeiros santos!

    Nossos programas incluem:
    • Rezas obrigatórias para todos, às nove da manhã, e antes de cada refeição;
    • Ensinamentos religiosos sobre como homossexualismo é um pecado, e porquê devemos odiá-los;
    • Porque mulheres devem ficar em casa, preparando a comida e arrumando a casa! Afinal, Deus fez primeiro Adão, e depois Eva;
    • "Como odiar aquele que é diferente de você", um curso de três partes explicando porquê todos que são diferentes são blasfemos e odiados perante os olhos de Deus, e como você deve fazer para expulsá-los de sua vida.

    Ainda não se convenceu? Então ouça esses testemunhos de pessoas reais que deixaram seus caminhos pecaminosos e reencontraram-se com Cristo!

    "Eu vivia na parada gay, festejando com os amigos, e várias vezes dormia com eles, em orgias que certamente eram pecaminosas aos olhos de Deus. Mas, graças ao Acampamento Moral, eu deixei de ser essa besta pecaminosa, e tenho esposa e filhos!" John Straight, 26 anos.

    "Antigamente, eu odiava meu Deus. Eu o negava, me iludia dizendo que ele não era real. Mas então meus pais me mandaram para o Acampamento Moral, e agora eu sei que Deus existe, e que ele mata todos aqueles que não concordam com ele. Obrigado, Acampamento Moral!" Marcus Creed, 31 anos.

    "Eu costumava sair com amigos, trabalhar, fazer sexo sem ser casada... Mas, graças ao Acampamento Moral, agora eu sou uma dona-de-casa reformada, temente à Deus e ao meu marido. Afinal, eu devo ser submissa ao meu homem, já que das costelas dele eu fui criada!" Lilian Slave, 28 anos.


    O que você está esperando? Ligue agora para (21) 22A451-55738 e transforme sua família na família ideal cristã! Não deixe que homossexuais com doenças, ateus endiabrados e bruxas destruam seu lar perfeito, ligue agora!
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    Espero que tenham gostado de minha sátira, mas infelizmente, esse tipo de coisa monstruosa existe. Chamam-se "Straight Camps", e estão disseminados por vários países cristãos. Especialmente nos E.U.A., o país laico mais católico do mundo.

    Biancardine, OUT!

    sexta-feira, 3 de julho de 2009

    Adão e Steve

    Deus criou os céus, os mares, a terra e os animais. E viu que era bom. E viu que, do barro, ele poderia fazer vida humana. E desse barro, ele criou Adão, Josefino e Steve. E viu que era bom. E Deus instruiu os humanos, de acordo com suas crenças, seus ódios e seus ideais. E deixou o homem livre. Steve logo se apaixonou por Adão, e o sentimento foi mútuo.

    Mas Josefino não estava nem um pouco feliz com aquilo. Achava uma afronta ao SENHOR Deus. E, chamando seu nome, clamou ao SENHOR: "Ó todo poderoso! Descei à mim, e escuta minha prece! Esta relação entre Adão e Steve é pecaminosa! Deves impedí-la!" E Deus disse: "Pois muito bem, Josefino. Criarei então das costelas de Adão uma mulher, para com quem Adão possa procriar a raça humana."

    E Deus pôs Adão num sono profundo, quando este caçava comida para seu amante. E, tirando uma de suas costelas, criou a mulher, ainda mais perfeita que o homem. Depois de uns momentos de desconforto, (Como o que um pai tem ao conhecer a filha já com 18 anos.) Adão nomeou a mulher de Eva, e deixou-a sozinha, já que ele voltou para seu amante. E Josefino ficou ainda mais irado.

    E aquela relação ocorreu por alguns anos, até que, em uma tarde de Sol, (Já que nunca chovia no Éden) Josefino se encontrou com a Serpente. E a Serpente vos disse: "Escutai, escutai: Tenho em minhas mãos a maçã que poderá terminar esse relacionamento pecaminoso entre Adão e Steve!"

    E Josefino respondeu: "Mas, cara Serpente, que maçã é esta que carrega em vossas... Coisas?" A cobra sibilou: "É a maçã da Homofobia! Uma mordida disto e Adão terá vergonha de ser o que ele é!"

    E Josefino concordou. E foi levar a maçã para Adão e Steve, quando foi interceptado por Eva. "O que carregas, traiçoeiro Josefino? Uma maçã, eu vejo, eu vejo. A maçã homofóbica, pois ouvi sua conversa com a Serpente." Josefino empurrou Eva para um lado, e foi entregar a maçã para Adão. Eva foi impedí-lo, mas a Serpente a prendeu, forçando-a a comer um pedaço da maçã.

    E Adão comeu um pedaço, e logo após isso, Steve também o fez. E logo se tornaram consciêntes da própria relação, e acharam-na feia perante Deus, mesmo sem Deus ter dito nada, nunca ter manifestado a voz sobre os acontecimentos.

    E então se ouviu uma voz trovejante dos céus. A fúria do SENHOR Deus era palpável. Ele gritou, estremecendo a todos: "Vocês tomaram do fruto proibido, vocês violaram minhas regras!" E Josefino, tão traiçoeiro quanto a cobra, respondeu: "Mas, meu SENHOR, Eva me obrigou a fazê-lo!".

    Eva sussurou: "Filho da puta", enquanto Deus voltava seu olhar para ela. Ainda estava amarrada pela serpente. A serpente sibilou: "Meu SENHOR, meu SENHOR, eu a capturei antes que fugisse!" Deus disse, satisfeito: "Muito bom, Serpente. Algum dia, ainda será recompensada por isto. Enquanto você, Eva, você Adão, e VOCÊ, - Ele deu uma pausa - STEVE, todos estão expulsos do Éden!"

    Os três tentaram revidar, mas foram jogados para fora antes que pudessem pronunciar uma palavra. Deus voltou sua atenção para Josefino. "Josefino, você foi leal, e por isso, eu te dou o direito de iniciar minha Igreja. Para sempre você será lembrado como o Fundador. Mas, infelizmente, você também terá que sair do Éden para fazê-lo."

    Josefino respondeu, falsamente: "Será um prazer trabalhar em vosso nome, meu SENHOR." E foi-se, para criar a religião homofóbica daquele Deus, sem nunca revelar seu segredo mais sombrio.

    E o que aconteceu com Adão, Steve, e Eva? Adão, tão revoltado com a própria sexualidade, acabou por se casar com Eva, embora não a amasse, e foi o fundador de uma sociedade que odiava o que ele era. Steve se matou de desgosto, uma vez que já iria para o Inferno apenas pela intolerância de seu Deus homofóbico. E na Bíblia, nada se falou de Steve, ou de Josefino. Apenas se falou de Eva, e seu marido homossexual, Adão.
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    "Adão e Steve" foi baseado em diversos comentários de vídeos de youtube homofóbicos, que diziam "God created Adam and Eva, not Adam and Steve." (Traduzindo: "Deus criou Adão e Eva, não Adão e Steve").

    O motivo de ter sido usado "Deus" com 'd' maiúsculo e "SENHOR" em maiúsculas foi para imitar a Bíblia, que também o faz. "Adão e Steve" não deve ser considerado um texto religioso, pois é apenas uma critíca satírica contra a sociedade homofóbica que existe ainda hoje.

    Biancardine, OUT!

    sábado, 27 de junho de 2009

    Sodomia Social

    - E aquele ali, o homem de terno e gravata azul.
    Oliver se assustou.
    - Você quer que eu transe com um homem? Mas eu sou hétero!
    Maria olhou para Oliver, sorridente.
    - Sim, eu sei... Mas ele não é! E se você quer sobreviver nesta sociedade, você vai ter que fazer coisas das quais não se orgulhará.
    Oliver olhou para o homem, engolindo um seco. Viu também uma mulher muito atraente se aproximando de Maria, e dando-lhe dois beijos na bochecha.
    - Ah, - A mulher começou - Maria! Não te vejo desde aquela noite! Nunca pensei que Robson fosse desistir daquele acordo... Mas você com certeza mudou a opinião dele!
    - Ah, Helga... Algumas de nós têm o dom. - Oliver começou a ouvir a conversa delas, depois de um toque de Maria. - Mas eu tenho certeza que você também teria mudado a opinião dele... De outra forma.
    As duas riram. Oliver ouviu com mais atenção.
    - Então, Maria - Helga começou num tom sério. - Você conseguiu falar com aquele político que queria tornar ilegal a venda de casacos de pele?
    - Ah, Helga... Eu tenho certeza que eu vou explodir a mente dele esta noite... Literalmente. - As duas deram mais uma risada.
    - Maria, eu adoraria ficar e conversar, especialmente com seu... Amigo - Helga desferiu um olhar tentador para Oliver -, mas eu tenho que tratar de negócios. Até mais!
    - Até mais Helga! - Maria começou a falar com Oliver. - Aquela vaca... Não tem o menor senso de auto-preservação. Ontem mesmo, eu falei para ela dormir com um homem para diminuir os impostos dos tecidos para roupas... Ela ousou dizer não!
    Oliver esboçou uma risada.
    - Ora, mas existirão outros homens com quem ela poderá dormir.
    - Não, não existirão... Ela levará uma surpresa quando chegar em casa hoje...
    Oliver ficou assustado.
    - E com você também, meu caro, mas não hoje. Hoje você ainda está aprendendo.
    - Então, o homem de terno e gravata azul? Ok, vou lá falar com ele. Até mais, Maria.
    - Bom garoto. - Maria sorriu, vitoriosa.
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    Primeiro de tudo, gostaria de anunciar o novo parceiro do meu blog, http://blasfemiacoletiva.blogspot.com/. Blog totalmente ateísta, satiriza a Igreja e a intolerância que o crente têm contra outros de religiões e sexualidades diferentes.

    Segundo, vocês provavelmente notaram o meu selo do VejaBlog. Eu fui selecionado para participar da lista de melhores blogs do Brasil. Sim, é uma honra. Mas não vou escrever um texto inteiro só para dizer o quanto estou feliz, pois só escrevi esta frase para fechar um parágrafo.

    Terceiro: Sim, estou no Google Ad Sense. Mas isso não quer dizer que eu tenha me vendido! Muito pelo contrário, só me deu forças para continuar escrevendo e lutando contra a intolerância, e tudo mais que for injusto!

    Biancardine, OUT!

    quarta-feira, 17 de junho de 2009

    Futilidade

    Em um quarto de um hotel, dois recém-casados conversam. Os dois são atores extremamente famosos.

    -Bom, - Começa a mulher. - Cá estamos nós. Casados. Os tablóides com certeza irão falar disso amanhã.

    Homem: - É... Sim... Com certeza.

    A mulher deita na cama.

    Mulher: Então, você quer er... Você sabe, transar?

    Homem: O quê? Ah, não, não, putz, que isso, eu sou gay. Só casei pela propaganda do meu filme.

    Mulher, levantando: Ah, que alívio... Pensei que a gente ia ter que fazer sexo... Ter filhos... E eu estou fazendo um papel muito importante, e se eu ganhar peso, posso acabar sendo demitida do papel.

    Homem: Bem, eu não me preocupo com peso extra, eu vomito depois de cada refeição - Se orgulha.

    Mulher: Eu estava falando de ter um bebê, mas boa dica.

    Homem, olhando pela janela: Ei, eu acho que tem um paparazzi ali fora!

    Mulher: Você tem certeza?

    Homem: Sim! Acabei de ver um flash!

    Mulher, deitando na cama: Então vem, ou ele vai descobrir que o casamento não é de verdade!

    Homem: É... (Apaga a luz) Você se importa se eu for pelo outro lado?

    Mulher: Claro que não. Meu último marido só ia pelo outro lado mesmo... Mas por favor, use uma camisinha. Não quero ficar grávida.

    Homem, rindo: Não dá para ficar grávida por esse lado, caso contrário, eu estaria!

    Mulher: Tudo bem. Vamos dar a este paparazzi algo para pôr nos tablóides amanhã!

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    Biancardine, OUT!

    domingo, 17 de maio de 2009

    Boutique

    Em matéria de roupas, eu sou um retardado. Nunca consigo diferenciar seda de algodão. Eu lembro que, numa sexta, eu fui comprar um terno. Festas de quinze anos, coisa e tal. Nunca gostei da minha própria imagem num terno, sempre me achei um ser selvagem, atípico, e um terno não combina com esse meu "visual". Enfim.

    Comprei meu terno, coisa e tal. Resolvi ir a Renner. Esperei não encontrar um daqueles vendedores, pois, até porque, eu me lembro de um capítulo da minha vida em que eu insisti que queria um pijama de seda (Sim, sei, é gay.). Fui numa loja, e o cara foi me explicando os tipos de seda.

    - Ah, bem. Nós temos a seda endurecida, que é mais resistente, mas um pouco mais desconfortável. Também temos a repassada, que é muito mais confortável, mas não pode nem ser lavada numa máquina.
    - Desculpe, eu disse pijama de seda? Eu quis dizer calça jeans.

    Continuando...

    Eu estava na Renner, e via milhares de diferentes roupas. Uma patricinha adoraria esse lugar. Eu tenho medo. Andei por aí, e vi certas roupas. Jaqueta de couro, a primeira que vi. Certamente dizia "Sou contra a sociedade. Não é verdade, mas eu minto.". Ou então, "Tenho fios brancos, socorro!".

    Ao lado, uma calça de couro. "Me segurem" ela gritava. Boné? "Não tenho dinheiro para transplante capilar." Calça branca, jaqueta branca, camisa roxa? "Nunca saí da era Disco." Calça apertada um pouco demais? "Ai, Disco!"

    E, numa mesinha esquecida, uma boina. Coisa de artista francês, mulheres e Che Guevaras. Resolvi experimentar. Me vi no espelho e tomei um susto. Eu parecia alguém diferente, um filósofo, um poeta. Finalmente minha aparência refletia quem eu realmente era. Parecia um pensador, um revolucionário.

    Era como se minha vida tivesse se divido em duas partes. A.B. e D.B. Antes e depois da boina. Como se toda minha vida eu estivesse cego para minha aparência, mas que depois daquela experiência, todos pudessem ver quem eu realmente era.

    Pus a boina de volta em seu lugar, e fui ver a jaqueta de couro uma outra vez.

    Biancardine, OUT!

    sexta-feira, 8 de maio de 2009

    Copyrighted

    Dois amigos de infância se encontram num bar. Um deles é um fiscal de patentes.

    - Ei! Há quanto tempo! Harold, não é? Sabia!
    - Ei, Lucas! Sim, bastante tempo!
    - Então, Harold, o que você faz?
    - Bem, Lucas, eu sou um fiscal de patentes.
    - Sério? Huh. Bem, isso é bom! Eu preciso de ajuda. Eu não quero quebrar nenhum direito autoral, mas também não quero ter que pagar royalties. Sabe, não tenho recebido muito dinheiro ultimamente.
    - Ah, você quer minha ajuda sobre isso? Claro que ajudarei!
    - Maravilha, comemoremos! - Lucas chama o garçom com um gesto. - Quero duas Brahmas, e...
    - Espere! Nada de Brahmas.
    - O quê? Nada de Brahmas? Ah, sim, me desculpe. O que você irá querer?
    - Nada, não quero nada, mas você não vai poder beber a Brahma.
    - O quê? Por que?
    - Pois você fez claramente um anúncio do produto, violando regras de patente.
    - Ah. Tudo bem, eu bebo uma Skol.
    Harold encara Lucas por um momento.
    - Err... Não patentearam a água ainda, patentearam?
    - Não.
    - Ótimo. Garçom, duas águas.
    O garçom se retira.
    - Então, quer ouvir alguma música? Eu tenho aqui uns CDs... Acabo de vir de uma festa.
    - CDs? Ouvir? Hah! Você está louco! Divulgar esta música claramente violaria os direitos do cantor, e provavelmente te poria na cadeia.
    - ... Não diga. Quer ouvir eu cantando no coro da escola? Eu tenho aqui numa cópia dum CD que mandei para mamãe no natal.
    - Não.
    O garçom chega com a água. Lucas bebe a água toda, e retira do bolso cinco reais, pondo-os sobre a mesa.
    - Bem, eu vou para casa, ler alguma coisa.
    - Espere! O que você vai ler?
    - Bem, eu estou no meio de O Senhor dos Anéis.
    - Tolkien? Sendo que você fez uma clara propaganda do livro, estando ele morto há menos de 65 anos? Não senhor.
    - Tudo bem, eu vou para casa respirar. Isso pelo menos nunca terá patente.
    O celular de Harold toca. Ele atende, e após alguns minutos, ele olha desconsolado para Lucas.
    - Má notícia.
    - O que?
    - O oxigênio acaba de ser patenteado.

    terça-feira, 5 de maio de 2009

    Ronaldo e Hugh Jackman trocam camisas

    Então, estava buscando a internet. Falta do que se fazer geralmente dá nisso. Acabei por visitar a Uol (http://www.uol.com.br/), e lá vi essa notícia. Hugh Jackman, visitando o Brasil, visita Ronaldo no seu treino do Corinthians, e recebe dele uma camisa do time. Em retorno, Hugh Jackman o presenteia com uma camisa do novo filme dele, X-Men Origins: Wolverine.

    Como meu professor de história diria, mas que beleza hein! Não acho que seja tão errado uma troca de camisas, até acho que posso fazer várias piadas de duplo sentido, mas o que chamou minha atenção foi o quanto a mídia alardeou esse fato. Tirando o fato que erraram o nome, que estava estampado na camisa.

    A mídia hoje em dia aliena mais que informa. Uma notícia supérflua como essa recebe muito mais alarde que coisas que realmente são importantes. Se uma pessoa pobre morre assassinada, ninguém se importa. Um ator australiano troca camisas com um jogador brasileiro, aparece em todos os jornais.

    A mídia já foi um meio de informação, agora não passa de uma revista de fofocas que passa na internet e na globo. Por exemplo, o caso Isabella (Ou a garota que foi defenestrada.). Ela só foi tão amplamente noticiada porque tinha dinheiro. Experimente defenestrar uma garota pobre, para ver quem que te noticia. Se duvidar, nem te prendem.

    Apesar de vez ou outra publicarem o que acontece com os... pobres brasileiros, dedicam a estes quatro linhas, e ao "Ronaldo e Hugh Jackman" um vídeo de 2, 3 minutos. Isso porque foi na Uol. Na globo foram o que, onze?

    OBS: Voltei ao Uol, e aparentemente Hugh Jackman ganhou uma do Flamengo. Amanhã será do Botafogo, eu aposto.

    Biancardine, OUT!