sábado, 17 de outubro de 2009

Fumaça

A escuridão envolvia a cama, com o silêncio se alastrando pelo cômodo. O corpo desnudo, carne do pecado, um prazer que não devia ser conhecido. Uma pequena luz se acendeu, para logo após apagar novamente. Apenas um círculo de fogo permaneceu, iluminando um cigarro.

As formas cinzentas ganharam forma, naquele mundo preto e branco. A mulher deitada, frágil, acocorada, fumando seu cigarro. Chovia lá fora. Chuva forte, chuva. O apartamento envolvido por aquela suave melodia da respiração combinada da mulher, e eu.

A fumaça do cigarro subia alta. Dançava em pequenas espirais, abafando o ar. Uma gota de suor, e mais outra, e, depois de tudo, um cigarro. O som de carros entrou no quarto, quebrando o silêncio mortal. Pela luz de fora, se via apenas a fumaça d'água.

A fumaça percorreu todos os cantos, enchendo-nos de desesperança e tristeza. Um ato ridiculamente humano, e porcamente prazeroso. A fumaça nos intoxicava ainda mais, daquela luxúria desmerecida de uma noite de bebidas.

Mexendo em algo - Qual não me recordo -, cortei a mão. O sangue vermelho naquela sala sem cores. E a fumaça entrando na ferida, cauterizando de forma grotesca. As baratas do apartamento se agitavam conforme a chuva parava, preparando-se para a hora de se alimentar de nós.

Por fim, naquele mundo sombrio desesperançoso, aonde nenhum homem conseguiria sobreviver, dormimos, enquanto aquela fumaça maldita entrava em nossas narinas, dançando em espirais que qualquer um chamaria de "diabólicas".
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Isso foi... Minha tentativa de fazer um momento Noir. Consegui?

Biancardine, OUT!

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