domingo, 18 de outubro de 2009

O Clichê (Parte Quatro)

- Yarrr! Eu sou o pirata mais temido dos mil cento e dezessete mares! Os homens me temem, as mulheres - Ele piscou para George - me amam, e os peixes me odeiam! O que vocês querem em meu navio?


- Primeiro, estamos no porto. - Eu comecei. - Logo, não estamos no seu navio. Segundo, são SETE mares.

- Sim, eu sei! Mas eu conto as vezes que passo por eles! Logo, são mil cento e dezessete!

- Err... Tudo bem. Terceiro, Hylda aqui está namorando Fernando. - Fernando se assustou. - E quarto, vocês são piratas? MESMO?

- Sim, claro! Os mais malvados, os mais rebeldes, os mais burros!

Fernando e eu nos entreolhamos.

- Ok. Se vocês são piratas, e são contra a lei, o que raios estão fazendo num porto que é CONTROLADO pela lei? E por que raios os guardas não prendem vocês?

- Pois... Err... Sei lá, reclame com o autor.

- Tá, dane-se. Vocês podem nos levar a este lugar? - Mostrei o mapa do Cristal d'Água para ele.

- Sim, claro. Por duzentas peças de ouro.

- Te ofereço cinco.

- Feito.



Embarcamos, depois de pagarmos o pirata. O navio tinha um cheiro singular de escorbuto, peixe estragado, e suor masculino acumulado por doze meses. Não duvidaria muito se lavassem o convés com suor.

- Então, - Começou George - O que vocês fazem para se divertirem aqui?

O capitão olhou para George da cabeça aos pés, e, mostrando seus dentes amarelos, podres, e com um péssimo odor de salmão, disse:

- Sexo.

- E quando não têm mulheres a bordo? - Ele riu.

- Sexo.

- Ah. Não devia ter perguntado.

- Não devia mesmo. Aliás, Jack, você que tem os braços fortes...

- Não, obrigado.

- Eu só ia perguntar se você podia puxar aquela corda.

- Ah. Sim, claro.

O capitão virou-se para Fernando.

- Ei, você acha que essa calça faz minha bunda ficar gorda?

- Ei, capitão - Eu repliquei - Que tal você nos levar logo para o local no mapa?

- Ah, sim, claro. Homens! Puxar velas, soltar as amarras, vamos zarpar!



Algumas horas - E muitas cantadas do capitão - depois, chegamos ao nosso destino. Mesmo que no mapa estivessemos no lugar correto - Ainda abençôo a pessoa que criou o mapa com a sua posição e a posição do cristal -, nada se via além de água.

- Cá estamos... Mas... Só tem água. Nada de templo. - George falou.

- Duh. É um Cristal de ÁGUA. Deve estar no fundo do mar.

- Quem então vai ser capaz de pegá-lo? Todos respiramos. - Fernando falou.

- Hmm... Eu tive uma idéia. - Dito isso, chutei George, que saiu do corpo de Hylda.

- GAH! Filho da...

- Calado. Vai lá no fundo pegar o cristal. Queria ser útil? Agora seja útil.

Ele rosnou levemente, e mergulhou, desaparecendo de vista. Estranhamente, Hylda não havia recobrado sua consciência. Fernando parecia traumatizado.

- Então... Há quanto tempo... Aquele homem...

- Antes mesmo de te conhecer.

- Então eu...

- Sim.

Hylda soltou um leve som, mas depois disso se calou.



Subtamente, do mar, saiu George, com o Cristal de água.Ele estava azul, ao invés de transparente, e pingava água como uma peneira.

- Argh! Odeio água... Sempre entra em mim, e fico dias pingando. E, enquanto tenho água em mim, não posso possuir ninguém.

- Droga. - Eu reclamei.

- Droga? Isso é ruim?

- Sim. A Hylda é um saco. E vai nos trair no final.

- Não se preocupe, olhe para ela. Ele está em estado de escravidão da alma.

- Como?

- Ela ficou tanto tempo possuída, que sua alma foi completamente suplantada, e agora ela não pensa, apenas obedece ordens.

- Ah. Deixe-me tentar. Hylda, é o Jack. De agora em diante, você não vai nos trair com o rei, entendeu?

Ela fez que sim com a cabeça.

- Ei - Fernando sussurou para mim - É errado que eu tenha ficado excitado com isso?

Eu olhei para ele com nojo.

- Sim! Seu pevertido!

Fernando e George se entreolharam.

- Ok - Eu os interrompi. - Discutam isso depois. Vamos logo para o maldito rei.

Eu ia pegar o Cristal, quando vi que Fernando tinha pego o cristal.

- Fernando, me dê o cristal.

- Por quê? Eu vou ficar com ele.

Antes que eu pudesse impedí-lo, ele o colocou no corpo, absorvendo-o, e dissolvendo-se em água.

- Idiota.

Logo ele voltou a ser ele mesmo, pingando água.

- Ok, se você não tirar logo esse cristal, eu vou mijar em você.

- O quê? Não! Não, pera! Argh! Eu não consigo!

- Idiota. Vamos, pelo menos o rei não vai pegar o cristal.



Alguns dias, e uma floresta cheia de zumbis depois, estávamos diante do rei. Que, por sinal, estava irritado.

- Poxa! Eu FALEI que vocês tinham que pegar o Cristal de Água, SEM ABSORVÊ-LO! Mas... Dane-se. Vão pegar o Cristal de Fogo.

- Sim senhor. Até o retorno.



E fomos pegar o Cristal de Fogo. To começando a ficar de saco cheio do rei.
_____________________________________________________________

PS: Desculpem o atraso. É que, devido ao horário de verão, o Blogger acabou criando problemas com a opção de postar programado.

Nenhum comentário: