quarta-feira, 23 de junho de 2010

O Filho de Drácula - Capítulo Oito

Nathan estava recolhido em seu castelo, pensativo. Faziam dois meses desde que Dracula se fora, mas ele não podia parar de temer sua volta. Mesmo que Lars tenha ido em disfarce, ele não obtinha notícias dele.

Nathalie abraçou-o de surpresa. Ele virou-se, sério, fitando-a. Ela beijou-o como costumava, mas ele não respondeu. Acabou desistindo da lúxuria que sentia, e simplesmente se sentou na poltrona do corredor, perto da janela qual ele olhava.

- Por que o mestre nos rejeita? Não gosta de nossos corpos?
- Não é de vossos corpos que sinto falta. - Ele voltou a olhar pela janela.
- O que está a olhar?
- A vila mais abaixo.
- Estão em movimento, posso ver. - Ela começou a olhar com ele.
- Sim. Querem nos invadir, mas tudo o que fizerem será inútil. Não têm esperança, mas continuam lutando.
- O que fazer? São tolos.
- Mas é exatamente isso: São tolos. Mas nós já fomos tolos, assim como eles. Mas agora olhamos como se eles fossem inferiores...
- Isso é motivo para dúvida? Nós evoluímos, eles não. É a ordem natural.
- Talvez. Mas não deveria ser.
- Por favor! - Nathalie ficou irritada - O que é o Ser Humano, exceto um verme mentiroso e invejoso! Todos deveriam estar mortos... Todos os seres vivos!
- Inclusive você, inclusive eu.
- A diferença é que já estamos mortos, querido.
- Como saber? Meu coração não bate, mas eu ainda sinto a tristeza.
- Então afogue-a com suas noivas. Estamos entediadas e famintas. Dê-nos algo para fazer, antes que nos revoltemos! - Nathan suspirou, por hábito.
- Tudo bem. Se eu devo.

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