O vampiro olhou atentamente para Nathan. Diferente da outra vez que se encontrara com um vampiro, dessa vez ele não sentiu medo, ou qualquer tipo de domínio. Dessa vez, sentiu que estava na presença de alguém como ele. Pois de fato era.
- Boa noite - O vampiro falou, sentando-se na poltrona.
- Boa noite. Assumo que você seja Drácula.
- Sim, está correto. Sou Drácula, pai e noivo das sutis criaturas que você assassinou ontem. Como se elas fossem cachorros.
- Me... Me desculpe. Elas queriam me matar, beber meu sangue.
- Sim, entendo. Você teve sorte, pois, se eu já não estivesse a ponto de exonerá-las, você agora estaria morto.
- Sorte! Você me transforma neste monstro, e me diz que tenho sorte! - Ele acabou explodindo.- Sorte! Sorte eu teria se estivesse morto!
- Acalme-se. Se morto é como deseja, eu poderei matá-lo agora mesmo. Esteja apenas feliz que fui misericordioso com você.
Nathan ficou sem palavras. Observou Drácula por um momento. Seu semblante era semelhante ao de reis, e suas vestimentas reluziam a luz da lua como mil pedras preciosas. Seu rosto era jovem, mas ao mesmo tempo expressava sabedoria. Realmente, era o rei daquele castelo.
- Drácula. Lendas contam de você desde que o mundo era jovem. Matou pessoas, e devorou suas carnes, sendo amaldiçoado com o "Presente" do vampirismo.
- Essa é a lenda, embora incorreta. Caso você queira saber a origem do vampiro, sente-se. Será longo, mas temos toda a eternidade pela frente.
Nathan sentou no sofá, de modo a ficar de frente para Drácula. Ele o encarou por algum tempo, antes que Nathan desviasse o olhar. Então se lembrou de seus dentes, e confirmou que eram afiados e pontiagudos.
" No início, Deus estava entediado. Criou ele Adão e Lilith, a primeira mulher de Adão, do mesmo material que ele. Ela rebelou-se contra o domínio de Adão, querendo que ambos fossem iguais aos olhos da sociedade.
Então Lilith foi expulsa. E, para 'recompensar' sua desobediência, Deus a castigou com o vampirismo. E ela andou o mundo, para sempre imortal, sem nunca ver a luz do dia. Até que ela me conheceu.
Nós éramos amantes, e ela me transformou no vampiro que sou hoje, e, por isso, sou grato. Mas ela é uma mulher independente, e logo esqueceu de mim. E desde então eu tenho vivido aqui, só, tentando substituí-la por noivas como as que você matou ontem. Mas elas nunca foram nem um décimo de Lilith."
Ele parou de falar. Nathan sentiu o peso dele no seu coração, que não batia. Ficaram algum tempo em silêncio, enquanto a lua passava por cima do castelo sem luz. O silêncio teria continuado, até que Drácula o quebrou.- Então! Vamos ao seu primeiro trabalho!
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