A lua estava alta no céu, com milhares de estrelas rodeando-a. A noite parecia calma, e o vilarejo dormia, pacífico. Os poucos guardas estavam nas entradas, sem dar muita atenção ao seu trabalho.
Nas proximidades da cidade, dois homens conversavam. Um deles parecia curvado e com medo, enquanto outro tinha um semblante real, sem demonstrar nem ao menos uma expressão de medo.
- Lars - Chamou Nathan, num sussuro - Lars, esta é minha própria vila! Não posso fazer isso! Nasci e cresci com as pessoas deste lugar!
- Acalme-se Nathan. Eles estão dormindo, e seu corpo já sabe o que fazer. Sua missão é simples: Trazer três noivas para Drácula, para substituir as que você matou.
- Pode ser simples, mas eu preferia que alguém mais o fizesse além de mim. Não gosto da idéia de matar mulheres que em algum dia já fui amigo, confidente ou até amor de.
- É isso, ou a forca. Drácula pode não parecer, mas ele tem mais poderes do que se pode imaginar. Agora vá, e crie a terceira geração de vampiros!
- Terceira?
- Sim, você é a segunda. Drácula é a primeira, e Lilith é a origem. Não ache que eu nada sei sobre vampiros, rapaz! Sou tão velho quanto o próprio Drácula, embora não tão poderoso.
- Tão velho quanto? Mas Drácula tem séculos de idade, enquanto você é um mortal!
- Mortal! Não sou apenas um mortal, Nathan! Toda semana Drácula me alimenta com o seu próprio sangue, o que me torna imortal! Isso é, enquanto o sangue durar.
Nathan observou-o, notando seu desespero, e entendendo seu vício. Ele mesmo, sendo um vampiro, sentia o doce sabor do próprio sangue. Levantou-se, e foi em direção a vila, assimilando um "Adeus" para Lars.
Dentro da vila, Nathan conseguiu entrar sem problemas. Os guardas não estavam prestando atenção. Por volta de vinte casas rodeavam-no, fechando um círculo. No meio deste, encontrava-se um parque.
No parque, uma jovem se encontrava, cantarolando algum tipo de canção. Ele se aproximou sorrateiramente, e viu que ela era uma linda jovem, de longos cabelos negros. Percebeu que era Nathalie, a filha do chefe da vila.
O chefe era um gordo corrupto e sem escrúpulos. Vendia as mulheres da vila para nobres, e mantinha o dinheiro. Também corria um boato que ele molestava a irmã mais nova de Nathalie, Louise.
- Uma linda noite - Ela surpreendeu-o - Especialmente para os amantes.
- Sim. Mas temo que estes estejam trancados em casa, com medo dela. - Nathan sorriu, recompondo-se.
- Ainda assim, é uma linda noite.
- Assim como és uma linda mulher. - Nathalie virou-se para olhá-lo.
- Palavras tão tentadoras. Papai achou que você estava morto.
- De certo modo, ele está certo.
- Nem imagino o que você encontrou naquele castelo, Nathan. Mas é bom te ver de novo. - Ela sorriu.
- Não acho que possa dizer o mesmo.
- Oh, o que lhe aflige?
- Uma missão, da qual não poderei escapar.
- Mas sua missão está terminada, pois está de volta!
- Não. Essa missão falhaste. Mas minha nova não poderá, ou pagarei com minha não-vida por ela.
- Oh céus, do que está falando Nathan?
- Minha nova condição, Nathalie. Não posso mais me considerar humano. Tornei-me a coisa que prometi destruir, três noites atrás.
- Tornaste-se um vampiro. - Nathalie ficou em silêncio.
- Sim. Tornei-me o monstro que agora você abomina.
- Não abomino-lhe. De fato, desde que saíste sinto tua falta. Não será agora que o abominarei.
- De fato, sempre senti afeto por ti, Nathalie. Mas agora, como vampiro, não posso envolver-me com vós em boa consciência.
- Então torne-me vampira! - Nathalie pareceu esquecer da hora, pois gritou.
- Tornar-lhe vampira! Nunca poderia fazê-lo!
- Eu te imploro, Nathan! Não agüento mais as lamúrias de meu pai! Mais uma noite neste lugar, e serei vendida para um nobre na Inglaterra!
- Mas... Nathalie...
- Eu leio sobre vampiros faz tempos, na biblioteca particular de meu pai. Eu sei sobre as condições, e aceito-as prontamente, mas apenas quero sair daqui, e ficar a vosso lado!
Nathan não pôde revidar, pois Nathalie o puxou para perto, beijando-o apaixonadamente. Ele não conseguiu se controlar, e mordeu o pescoço dela. Ela gemeu de prazer, enquanto Nathan lutava contra si mesmo.
Por fim, Nathalie caiu, semi-morta no chão, enquanto Nathan chorou sobre seu corpo. Ele sabia o que fazer, pois lembrava do breve treinamento que Drácula o dera, mas não queria ter feito aquilo.
- Céus! O que fiz! Se deixá-la morta, saberão que os vampiros atacaram! Se levá-la, irão procurá-la em todo lugar! Oh, Nathalie... Maldito dia em que entrei naquele castelo!
Então ele, não tendo escolha, despejou um pouco de seu sangue nos doces lábios de Nathalie, que escorreram lentamente até seu pescoço, ainda furado. Sua blusa mudou de cor, indo de branco para preto, assim como sua saia. Seus seios pareceram aumentar, conforme o sangue entrava em seu pescoço, e ela atingiu um tom mais pálido.
Nathan carregou-a para Lars sem esforço, pois tinha a força de um vampiro. Entregou-a com algum pesar, com medo do que Lars poderia fazer com o corpo dela em sua ausência, e voltou para o vilarejo, para pegar outras duas.
A segunda, ruiva - Segundo as próprias especificações de Drácula - era sua própria irmã, mas ele já não mais se importava. Ela era a prostituta da vila, desde que os pais morreram, e virar vampira seria um avanço para ela.
A terceira, loira, ele decidiu pela esposa de um velho inimigo seu, o xerife. Ela era farta, nova, e esbelta, e, embora Nathan não se importasse muito com ela, ela toda noite flertava e traía o xerife com outros homens, pois era uma das mulheres mais desejadas da vila. Ambas estavam dormindo na hora da mordida.
Então Lars e Nathan voltaram para o castelo, com Nathan carregando duas, sua irmã, Helga, e Nathalie, enquanto Lars carregava, com um certo tipo de prazer, a esposa do xerife, Julie.
Naquele dia, toda a vila lamentaria o desaparecimento sangrento de três jovens mulheres, assim como a morte de seu xerife, que parecia ter sangrado até a morte.
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