domingo, 20 de setembro de 2009

Conto da semana: O Cavaleiro e o Dragão

Parte Um:

O Cavaleiro

Raios de luz desceram aos seus olhos, enquanto ele observava a trilha, triunfante. A caverna do dragão estava próxima. Em suas mãos, ele carregava uma espada, e em suas costas, um arco, e sua aljava ainda cheia.

O vilarejo tinha medo daquele Dragão. Era o último de sua espécie, e por isso, poderia ser o mais violento. Foi aí que o herói entrou. Ele viu no Dragão sua chance de conseguir fama, e aproveitou-a.

E o herói chegou na caverna. O cheiro de fogo entrou por suas narinas, enquanto ele venturava por aquelas cavernas maliciosas. Por fim, ele viu o temido Dragão.

Suas escamas douradas brilhavam juntas mais que o Sol. Suas asas eram inigualáveis, e fariam inveja a qualquer ave. Seu porte deixaria até mesmo o maior dos reis parecendo um mendigo bêbado.

O herói correu para o ataque, urrando. O Dragão por um segundo não notou sua presença, mas depois tentou desviar, sem sucesso. O herói fincou sua espada nas costelas do Dragão, que gritou de dor.

Mas então o Dragão revidou, e levantou vôo, jogando o cavaleiro, e sua espada, no chão. O cavaleiro então sacou seu arco, e começou a atirar contra o Dragão.

Por fim, o Dragão caiu, e o Herói saiu vitorioso. E ele voltou para o vilarejo, mas não sem antes arrancar a cabeça do Dragão. Não existiriam outras manhãs para ele.
 
Parte Dois:
O Dragão
 
Escuridão. Ele olhou ao redor, e não viu nada. Tentou se mover, mas viu que estava preso. Tentou forçar, e ouviu um estalo. Viu um feixe de luz, e, forçando ainda mais, viu que o feixe aumentou. Forçou ainda mais, e o ovo quebrou.

Viu árvores, plantas, e flores. Pássaros voavam altos no céu azul, e ele viu outros como ele, outros Dragões, de diferentes cores. Olhou para baixo e viu que tinha pequenas escamas douradas.

Olhou para algumas flores roxas, e decidiu vê-las de perto. Cambaleou até elas, e cheirou. Reconheceu aquele cheiro como bom, e se alegrou. Ouviu um chamado, e, olhando para a fonte do som, viu um Dragão enorme, que seu instinto chamou de "Mamãe".

E sua mãe o ensinou sobre a floresta, sobre a vida, sobre tudo. Nunca conheceu seu pai. E o pequeno Dragão foi crescendo, ficando mais forte, maior.

Mas, quando ficou adolescente, uma catastrofe ocorreu. Ele vivia normalmente na tribo, e sua família - Sua mãe - o amava muito. A vida era boa, então.

Entretanto, num dia toda sua vida mudou. Humanos atacaram a tribo, milhares de humanos, coisa que nem os Dragões conseguiram lidar. Os mais velhos lutaram bravamente, e morreram. Os mais novos foram aniquilados.

E o jovem Dragão foi atacado, e ferido. Sua mãe ordenou que ele corresse, e ele o fez. Fugiu voando, ainda ferido, e ouviu os urros de sua mãe morrendo.

Sua raiva suplantou completamente sua razão. Ele pensava em voltar e se vingar, de matar todos aqueles humano miseráveis pelos crimes que eles fizeram, mas ele caiu atordoado antes que pudesse dar meia-volta.
Acordou mais tarde, e viu uma faixa cobrindo seu ferimento. Olhou ao redor, e viu um humano cuidando dele. Primeiro pensou em atacá-lo, mas depois pensou duas vezes. Viu que o humano estava ajudando ele.
Depois de se curar totalmente, agradeceu o humano, e foi embora. Começou a duvidar sobre os humanos, e acabou por resolver que não iria se vingar. Afinal, nem todos os humanos eram maus.

Os anos passaram, e ele escolheu uma caverna para viver. Vivia deprimido, com a solidão. Era o último de sua espécie, e nunca mais veria outra fêmea novamente.

Então aconteceu o inesperado. Um homem entrou em sua caverna, e começou a atacá-lo, sem nem ao menos falar nada. Ele enfiou uma espada em suas costelas, enquanto o Dragão urrou de dor.

Tentando não machucar o cavaleiro, o Dragão começou a voar, na esperança de espantar o atacante. Por fim, levou tantas flechadas que caiu, morto, aos pés do cavaleiro. E, no fim, viu sua mãe, sua família, e sua tribo.
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Post original: O Cavaleiro e o Dragão

Biancardine, OUT!

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